Combatendo domingos depressivos comigo

Sobre a necessidade de tomar medicamento estimulante no domingo, para combater o fenômeno do blue sunday que me acomete toda semana. Na tentativa de não querer morrer porque amanhã é segunda.

Ou seja, agora estou sob efeito de estimulantes e preciso urgentemente escrever para me sentir em paz comigo mesma e com a inquietação das minhas mãos.

Já fiz pudim, já fiz uma sessão de limpeza profunda na pia da cozinha, levando 2h para finalizar uma parte da pia e todo o processo com o pudim (do preparo á desenformar e guardar - imagem abaixo). 

Já tomei banho premium, ja jantei, ja gravei áudios para meus amigos, já escrevi à mão e agora preciso digitar no blog sobre devaneios que a escrita manual me desperta.

Minha cama está ocupada por milhares de afazeres da minha lista: linha de crochê, notebook, esmaltes, duas blusas recem compradas. As coisas precisam estar à vista para serem feitas e as vezes nem isso. Então, veremos o que a noite me guarda.

Preciso abrir espaço no quarto para minhas coisas, pois, estou num processo de mudança de casa, novamente. Na verdade, é um retorno para a casa da minha avó. Agora que ela faleceu, posso ficar aqui sem preocupações (resumindo os últimos anos de cuidadora e burnout). Devido a isso, estou tendo que aprender a viver na casa sem preocupações. Desligando meu alarme interno e aprendendo a viver devagar, sem me punir por isso. Por que a verdade é que eu sempre fui lenta, sempre precisei de mais tempo, mas eu não me permitia viver devagar. Não me permitia viver no meu ritmo, num ritmo que não me machuca. E isso não me fazia mais rápida, só me fazia lamentar por ser lenta. Um eterno ciclo de lamúria, por não atender a cobranças internas inalcançáveis.

Mind you, sou TDAH, então, sempre vivi em ansiedade por ser lenta, inquieta e dispersa ao mesmo tempo. Toda a inquietação mental que o cerebro tdah me oferece, esgota minha energia (que já é negativa). Então, eu virei essa pessoa preguiçosa, não por escolha ativa, mas consequência do cansaço mental em que me coloquei toda minha vida não diagnosticada e mais ainda nos últimos anos.

Agora, eu to treinando ser gentil comigo mesma, sem ser passiva. Sem deixar me atropelarem. Sem me diminuir. Sem pedir desculpas pelos outros. Estou treinando ser assertiva, tomando atitude de comunicar meus limites e minhas condições para realizar certas tarefas. Sem pedir desculpas e sem minimizar minhas necessidades. Sem esperar que decidam as condições por mim e sem aceitar qualquer condição imposta.

Isso só sendo possível de fazer agora, beirando meus 30 anos, porque só agora eu tenho conhecimento suficiente de mim mesma. Só agora sei meu diagnóstico e o que ele significa pra mim. Só agora estou vivendo uma vida pra mim. Reconhecer isso também é ser gentil comigo e com minha trajetória até aqui. 

Então, eu vou fazer as coisas pela metade, ou melhor, por sessões. Vou demorar vários dias para completar uma tarefa, ou melhor, vou dividir por etapas. Vou acumular tarefas, ou melhor, vou gerenciar minha energia para o que é necessário ou possível de ser feito. Vou deixar pra cima da hora, ou melhor, vou dar preferência a descansar, mesmo antes de completar um prazo apertado. E por isso, vou atrasar entregas, mas às vezes vou conseguir entregar a tempo tbm. Vai depender de como a semana foi cansativa, do quanto eu precisei descansar por causa disso. Aceitei que nem toda semana é igual e nem toda entrega vai ser no prazo. E isso não deve ser motivo de punição ou represália de si mesma. Já basta o que sua chefe fala, quando você nem dá motivo. 

Repito, vamos ser gentil comigo mesma. Não há nada que falem de você ou pra você, que vc mesma já não tenha pensado pior ou cobrado mais de si mesma. Então, não se subestime! Seu chefe, sua mãe, seus mais velhos, não são nada comparado a você mesma kkkkk. Cheer up!

É o capitalismo e eu vou ser tão falha quanto ele é. Tão imprecisa quanto ele é. E não o que ele finge ser. Não o que ele performa ser: pontual, urgente, meritocrático. Eu também sei performar e fazer o mínimo. No momento, esse é meu estado de mente. Quem sabe quando eu apanhar mais da vida, eu mude de ideia. Veremos.

É um processo de quebra de vícios e maus hábitos. Então, todo dia me pego voltando ao vício de cobrança e lamentação. Mas logo em seguida, corrijo-me e crio um novo caminho. Um caminho adaptado, alternativo, que me respeite e cumpra o propósito. Nem sempre eu consigo, nem sempre é possivel, nem sempre acho um caminho, nem sempre tenho o que é necessário para abrir um novo caminho. Faz parte do processo de cura.

Como é recorrente, sempre vai ter uma nova chance de corrigir e abrir caminhos. Então nada está perdido.

Outra coisa que estive trabalhando foi a noção do que é permanente. O que são minhas certezas e o que é permanente. As coisas não são escritas em pedra como eu acho que são. Uma experiência ruim de 5 anos atrás, não é certeza de que vai permanecer ruim cinco anos depois. Ou talvez permaneça, mas você não precisa se agarrar a isso. Vou não precisa se agarrar ao seu trauma, a má criação dos seus pais, a sua personalidade adolescente, ao seu gosto musical, as suas certezas, a suas limitações... Você escolhe se agarrar a isso ou não. É uma escolha. Existem as condições em que se vive e que são inevitáveis e existem suas escolhas em relação a essas condições*.

*Nota: Salvo exceções de condições econômicas, sociais e estruturais das quais a humanidade se organiza atualmente.

Novamente, nada está perdido, nem mesmo o tempo que passou. Alguns dias vão me deixar num estado de mente depressivo, que não é permanente. As vezes é só dormir que passa. Quando não passar, saiba a quem pedir ajuda e a quem comunicar. Tudo vai ficar bem, eventualmente. 

3 comentários:

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  2. Ai amiga te entendo completamente, eu tenho tag, e quando está atacada minha solução é escrever. Criei até uma newsletter chamada deposito de neuroses, que eu uso só pra desabafar. Mas é isso, vamos tentar fazer as coisas aos poucos e encontrar o melhor caminho bjks

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  3. 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻

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