A autora, num relato pessoal, traz um panorama de como era a internet nos anos 90, antes do formato de blog e de plataformas voltadas para configuração de sites. No tempo em que se criavam Homepages e não Sites ou Blogs. Até que começaram a surgir programas que facilitavam e automatizava a publicação de artigos na internet, nisso o formato "diário" ganhou espaço e acabou ditando regra. Com isso, um mundo de possibilidades que a codificação por HTML proporcionava, acaba se reduzindo em nome da facilidade dos editores de texto. Quanto mais fácil, mais pessoas fazem e o formato inicial se perde. A mensagem que fica é que nos distanciamos dos sites "feitos a mão" no sentido artesanal de se configurar um site do zero. Por mais complicado e cansativo que fosse, ainda assim, era um campo aberto para experimentar e criar.
É um título impactante, mas defende um ponto importante. Tal como na seleção natural de Darwin, o uso em massa de um formato ou prática em massa de um costume, acaba extinguindo o hábito anterior ou inicial. Alguma teoria da sociologia deve explicar esse fenômeno.
Quando eu topo com esse tipo de informação, como esse artigo, a vontade que dá é de salvar num documento word e guardar uma versão impressa, pra caso ele suma da internet eu ainda tenha acesso. Guardar pra usar como um documento histórico.Mas não era sobre isso que eu queria falar. Can you belive? Eu num sei nem por onde começar, só queria dizer que eu só tenho 6 anos, não sei como eu vim parar aqui.
Eu estava no Pinterest, salvando umas imagens que eu mal sabia que pertencia a todo um universo de codificação. Eram imagens de "cards", que hospedam num site chamado crd.co (não sei mais do que isso). A medida que eu fui pesquisando, topei num site chamado neocities.org e foi aí que eu me perdi.Neocities é um serviço comercial de hospedagem na web para páginas estáticas. Ele oferece 1 GB de espaço de armazenamento para sites gratuitos e nenhum script do lado do servidor para assinaturas pagas e gratuitas (from wikipedia)
Eu me vi em meio a milhares de sites naquela estética raiz anos 90. Windows 98. Fontes cores neon. Gliter. Pixels. Não era só uma estética webcore, era real. Inclusive, depois do que eu vi, acho que webcore já pode ser considerado uma subcultura, porque vai para além do saudosismo aos anos 2000, é um estilo de vida e com uma galera das antigas que vivenciou tudo e/ ou que hoje trabalha com programação ou algo do tipo. Foi num desses sites, dentro do neocities, que eu achei o artigo do início do post. Viagem grande!
A reflexão que fica é sobre como de tempos em tempos, vulgo de geração em geração, as tendências voltam. Tal como após a Idade Média veio o Renascimento trazendo de volta conceitos e práticas da Antiguidade. Tô muito histórica, mas não é isso. É sobre a tendência sempre volta atrás porque era mais simples, diferente do cenário atual cada vez mais sobrecarregado e desgastado. Desgaste do consumismo, do capitalismo, da superpopulação, do trabalho excessivo e milhares de adoecimentos humanos e ambientais que forçam a humanidade a pausar, senão quebra.
Nisso eu tô pensando, genericamente, em veganismo, minimalismo, zero waste life, slow-fashion, slow-living, slow-blogging e diversos outros movimentos que valorizam o aspecto artesanal de produção e consumo como estilo de vida. Movimentos que prezam pelo ritmo mais lento, mais natural, pela simplicidade, por valores como o respeito com o ambiente, com seu corpo e saúde mental. Importante pontuar que quando eu falo de "simplicidade" eu não me refiro a facilidade. Muito pelo contrário, normalmente o caminho da simplicidade é bem mais difícil e demorado. Tal como configurar uma homepage do zero, apenas com HTML&CSS.
Sim, eu tô dando um rodeio enorme. Desse jeito eu vou parar lá depois da baixa da égua com esse assunto dentro de oto assunto. A imagem mental é de uma boneca russa, só que um buraco negro me sugando pra dentro. Foco!
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O que eu quero dizer com tudo isso, é que eu to numa vibe que conversa um pouco com o que eu postei anteriormente aqui no blog. Que também tem a ver com todo esse movimento meu e de outras pessoas, de voltarem a blogsfera.
Num outro artigo que eu li (My blog is a digital garden, not a blog, por Joel Hooks), o autor traz o conceito de Jardim Pessoal Digital. O recurso do blog sendo parte desse jardim, como uma Wikipédia particular. Um espaço para depositar tudo o que é útil e interessante pra você mesmo, sem o que ele chama de "performance level of blogging", que seria a alta performance na produção de conteúdo tão comum no mundo das redes sociais, onde a essência humana se perde. E voltamos ao tópico: perda do aspecto artesanal de produção e a alienação no consumo. Isso sendo elevado a todos os níveis da vida, não só o digital.
Seriously. The idea of a "blog" needs to get over itself. Everybody is treating writing as a "content marketing strategy" and using it to "build a personal brand" which leads to the fundamental flawed idea that everything you post has to be polished to perfection and ready to be consumed.[My blog is a digital garden, not a blog]
Tudo isso pra dizer ou talvez refutar que, meu blog é um espaço livre meu que eu escolhi compartilhar com a web e que essa mentalidade me ajuda a desbloquear um pouco o jeito que eu escrevo e sobre o que escrever. Claro que é preciso tomar cuidado com o que se fala, pra não meter um discurso nazista como liberdade de expressão...
Digo também que vou incorporar o conceito de Jardim Digital para o blog. Pelo pouco que eu vi, é um conceito adotado por uma galera e idealizado por alguém que eu ainda não sei, mas é algo em que eu acreditava antes mesmo de saber que já tinha um nome. No momento é isso o que eu tenho pra registar, mas sei que vou bater nesse assunto de novo várias vezes por aqui.
📎 Anexo
Esse artigos também são bons:
🌷 Stop Giving af and Start Writing More, por Joel Hooks
"Being useful for me is the primary use case for this space on the internet. It's not that I don't care about you, but this is for me. It's here so I can record what I think and know and preserve it in time and space. It's my garden, but I'm happy for you to hang around and eat tomatos with me."
🌷 Digital gardens let you cultivate your own little bit of the internet, por Tanya Basu
"In fact, the whole point of digital gardens is that they can grow and change, and that various pages on the same topic can coexist. “It’s less about iterative learning and more about public learning,” says Maggie Appleton, a designer."
🌷 My Website is a Personal Museum: the creative freedom we lost in the age of social media, por Biko
"[...] The main gripe that I have with it is that with the normalization of using social media as a platform for content creation, the feed became the structure which everything was forced into, regardless of what type of content it is. And because of this structure, all the content which is created in these platforms is now heavily context dependent. Context dependent in that the recency of said content is now of some significance."
🌷 Adeus ao blog. Viva o jardim digital: aprenda mais sobre o novo modelo de conteúdo digital feito para durar, por Valter Nascimento
"O que os jardins digitais provam é que existe um forte movimento de criadores(as) de conteúdo que não querem necessariamente influenciar ninguém, nem seguir a rigidez do SEO. São autores e autoras que desejam se expressar de modo livre, tendo a internet como matéria prima para suas explorações.[...] jardins digitais são 'uma forma mais lenta e desajeitada de explorar a internet'. E não há nada errado em buscar um conhecimento digital lento ou até mesmo desajeitado."

Alana, mais uma vez você dizendo tanta coisa que eu sinto mais ainda não sabia como expressar. Primeiramente, gostaria de pontuar que eu sou uma dessas pessoas que viveu (quase) tudo isso e que hoje trabalho com programação!! HAHAHA.
ResponderExcluirSegundamente, você conseguiu descrever muito bem a saudade que tenho da internet dos anos 2000 a 2010, pelo fato de que era tudo bem mais simples e slow. Tenho pra mim que o movimento slow na internet é bem isso mesmo, quando você preza por seguir o seu ritmo e não o ritmo que as redes e o algoritmo diz que deve ser.
Eu amo quando tem gente na internet (e fora dela tbm) falando sobre todas essas coisas que sempre passam pela minha cabeça, to muito feliz de ter descoberto esse espaço aqui!
Eu não tinha nem ouvida falar sobre isso de "digital garden" antes, e fiquei bem curiosa. Já vou pesquisar muito sobre kkk, e ler as referÊncias que vc deixou também!
Até mais!!
Muito honrada em conhecer alguém da vivência raiz kkkk.
ExcluirPelo que pesquisei, digital garden é um conceito forte na gringa, que veio amadurecendo com há um tempo, mas ficou mais forte na pandemia. Também achei muitos sites trazendo versões personalizadas da mesma ideia ou relacionadas. Inclusive achei um sobre the slow web movement. Quanto mais eu pesquisava pior ficava pra sair de dentro. To até pensando em fazer uma página pra guardar os links todos num lugar só sobre esse assunto. Eu ainda tô muito obcecada no assunto kk.
Fique a vontade, venha ficar obcecada com o assunto você também, é de graça! kkkk Até!
olá olá, Alana! finalmente tive um tempinho pra sentar e vir aqui com calma (e caramba, muito feliz em ter feito isso). inclusive que coisa mais incrível esse recurso dos emotes, é muito satisfatório????~( ̄▽ ̄)~*
ResponderExcluirvocê me deixou pensando em tantas coisas, cara. agora tô crendo muito nesse conceito dos blogs terem essa possibilidade de serem "jardins digitais". eu gostei tanto dessa postagem e do seu espaço aqui, é tão bonito, tão orgânico. acredito que o lance de tentar construir os blogs do zero para além de ser difícil, seja muito especial também, fica tão autêntico!!
não vou mentir que o tema me deu esperança de que NÃO SOMENTE é sobre influenciar outras pessoas e ter engajamento e seguidores e comentários e parcerias e não sei o que mais, blogs também podem existir com o objetivo apenas de existir e registrar e criar e experimentar e fazer arte... por que não poderiam?
agora eu que agradeço por compartilhar suas pesquisas, seus pensamentos, seu posicionamento haha, em prol dos jardins virtuais!!
até mais, Alana! um abraço em tiヾ( ̄▽ ̄)
Sim! As possibilidades pra uma blog ou site são infinitas, não há regras, não há um padrão. Isso é a magia. Que bom que eu pude tocar um pouquinho seu coração com esse tema e com esse espaço, obrigada pela visita e fique a vontade! Um abraço (* ̄3 ̄)╭
ExcluirOiê! Vim aqui comentar em uma postagem e acabei chegando em outra hehe realmente um jardim digital. É muito massa essa criação de consciência sobre o ser e fazer. Nós estamos realmente em um momento de hiperprodutividade, hiper isso e aquilo, sem tempo pra sequer pensar e absorver o que está sendo feito. Tem um livro irado do Byung-chu Han "Sociedade do Cansaço" que fala justamente sobre isso, e a necessidade de nós desacelerarmos. Com as demandas de produzir X coisas, em X lugares na web e na vida, pra se conectar e conquistar isso e aquilo, a gente acaba se tornando apenas meras máquinas de processos e parece que é legal. A própria propaganda nos condiciona a isso, é muito louco, não atoa também doentiu, tá cheio de burnout por aí, e é o curto-circuito da mente né, o ataque cardíaco do espírito.
ResponderExcluirEsses conceitos escapistas que a gente encontra são muito maneiros, importantes e precisam ser refletidos, comentados e incentivados, o Digital Garden é uma prática incrível de autoconsciência do ser e fazer. Eu venho da publicidade e tudo é meta, resultado, tudo capitalizado, e tipo, eu sempre usei a blogosfera pra fugir disso, e reencontrei a filosofia agora do Digital Garden com toda a sorte do mundo, pois eu tava me perdendo novamente, quando deveria estar apenas focado no que me faz bem e não no que é para fazer algo pelo próximo. Acho que o ponto mais importante nessa comunhão é o compartilhar, a perspectiva de fazer algo para si, por ser importante para ti, mas ao mesmo tempo está compartilhado e agregando ao próximo, sem compromissos capitalizados e opressivos.
É isso hehe
xoxo
eu vindo parar aqui depois de 3 anos, que belo jardim.
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