Existe uma coisa no samba, que está para além da melodia e musicalidade. O samba não só é, como também soa como um movimento político. E é perceptível de uma forma que não é preciso saber história para notar, nem é preciso de letras explicitamente políticas para notar. Até porque o samba não é conhecido por ser politico como o rock, não canta um "Brasil, mostra a tua cara", mas nem por isso deixa de ser menos político. Essas mensagens estão presentes no samba, quando cantam sobre o cotidiano, sobre o parente que sai pra trabalhar, sobre o amigo que canta e dança no tempo livre, sobre o patrão, sobre ser negro nesse país de escravocrata... Mas o foco é no cotidiano, no dia a dia, nas pessoas e no trabalho. Eu gosto disso no samba, é próximo, é comum, é familiar...
Não sei explicar de forma acadêmica, sociológica ou qualquer forma respaldada intelectualmente falando, pois também não sou uma grande conhecedora do samba. Muito menos aprecio tanto assim o ritmo. Mas é incrível como eu me sinto muito tocada e movida, com todas as poucas músicas de samba que já ouvi. Principalmente os mais antigos, cantados por vozes femininas.







