Maio recap, 2022: música

“There is so much to tell you/ There is so much to see/ We will show you the oceans/ And everything in between/ What a privilege to love you/ To teach you all that we know/ To watch you build a collection of dreams that you can call your own” 
~ Life, Sleeping at last


Esse mês a playlist tá no clima fim de festa. Na verdade, eu sinto que há dois espectros da calma, nessa play. Uma mais melancólica e outra mais expansiva. Uma mais fria e outra mais quente. Tem músicas que me deixam mais pra baixo e outras que traz uma leveza, como brisa deixando os raios do sol passar entre as folhagens duma árvore. O conceito do mês é: músicas pra ouvir de olhos fechados. Não foi um tema premeditado, só foi algo percebido ao longo dos dias.

As músicas do Sleeping at Last tiveram uma parte importante na percepção desse conceito. Eles têm dois álbuns que representam esses espectros do escuro e claro nas músicas, chamados Atlas I e Atlas II, as músicas complementam umas as outras, por vezes muito parecidas entre si, mas despertam sentimentos diversos. Faz muitos anos que conheço essas músicas, mas só ano passado eu descobri que faziam parte de um projeto maior e que eles tavam trabalhando numa parte III, porém a pandemia...

vídeo explicando o conceito de cada álbum, baseado nas origens do universo e no ser humano (+info)


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No geral, a música tem uma parte muito importante no meu humor, ela tanto me influencia quanto me representa. Então quando eu vejo as músicas que estiveram presente em 30 dias da minha vida, dá pra ter uma dimensão do meu estado mental e emocional.

Eu costumo ficar bem melancólica a medida que o sol se põe, de noite eu tô dando crise de ansiedade e borocochô. Acho que por isso, esse mês a play tá mais lenta, em busca de calma, evocando nostalgia e uma sensação de aconchego. Como eu normalmente ouço essa play a noite, enquanto leio ou antes de dormir, faz sentido querer evocar esse clima.

Também tenho a necessidade de explicar pra mim mesma o que eu gosto em cada uma dessas músicas, o que me atrai nelas e o que elas despertam em mim... Com essa onda de vídeos de react, eu comecei a pensar o quão valioso é nosso primeiro contato com uma música ou um clipe. É algo que você carrega pra sempre e que define o seu vínculo com aquela música, e de alguma forma, você acessa aquele sentimento todas as vezes que ouve a música novamente. É essa minha relação com a maioria dessas músicas, elas me conectam à quando eu senti elas pela primeira vez.

Minha mãe conta uma história de quando eu era criança, que eu chorava ouvindo músicas dramáticas (?). Eram músicas da Disney ou músicas orquestradas/sinfônicas, líricas, tipo a abertura da novela Terra Nostra. Tem um tom empolgante e crescente nesse tipo de música que me emociona muito até hoje. Chorar era a minha forma de demonstrar minha admiração. 

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Comecei o mês conhecendo uma cantora aleatoriamente no Youtube: Rita Payé e sua mãe, Elizabeth Roma no violão. Nisso eu percebi que gosto muito do som de violão, que eu sempre considerei um instrumento bem sem graça quando não tocado de forma mais latina e rápida. O que é uma injustiça com o coitado, ele pode ser bem relaxante. O primeiro clipe que eu vi delas é tão tranquilo e tem um trombone inesperado, pelo meio, dando um toque delicioso à música. Eu não tava conseguindo dormir e ver esse vídeo me trouxe uma paz tão grande, que o sono veioDesta forma, percebi que quase todas as músicas desse mês têm uma sessão instrumental solo.

 

Por causa das músicas dela, fiquei nesse clima levinho, meio bossa nova e jazz, uma boa parte do mês. Porém, no dia seguinte eu tava ouvindo rock japonês. Coerência? Temos, porque os álbuns Flowering (2012) e Sainou (2020) do TK from Ling Tosite Sigure me relaxam muito. Mesmo com guitarra e alguns gritos, a voz dele é muito memorável, vire e mexe eu volto nesses álbuns.

Depois tivemos umas músicas nacionais, um Altemar Dutra, um Jaloo, terminando um Geraldo Azevedo e começando Lana del Rey, porque não? Mês passado eu fiquei pensando como fazia tempo que não ouvia música nacional com vontade. Não contava com a astúcia desse mês. Todos os dias, quando eu não tava prestando atenção, começava a tocar Lilás na minha cabeça, sem mais nem menos. Por algum motivo a letra dessa música ficou comigo. Por isso eu deixei ela como a primeira da lista. Daí uma música foi puxando outra na minha cabeça, Djavan puxou Belchior, que puxou um samba, que puxou um Geraldo de Azevedo, que puxou A banda mais bonita da cidade... A minha cabeça tem sua própria lógica de associação.

Trovoa foi uma música que eu não gostei quando conheci mas me prendeu pela letra e ritmo quebrado, é como se não tivesse uma lógica rítmica. E a interpretação da cantora me fez ficar alí ouvindo a música de mais de 6min até o final. E é justamente no final que eu não consigo mais parar de ouvir e fico querendo que fosse mais longa. É uma dessas músicas que era um poema e resolveram musicar. Tecnicamente toda música é isso, mas algumas são genuinamente poemas. E não é porque rimam, ou porque são bonitos. É quase como um rap, contando uma história, montando um cenário e a medida que você vai ouvindo, vai surgindo imagens na sua cabeça ilustrando a música.

“Deslocamento atômico, para um instante único, onde o poema mais lírico... Se torna a coisa mais... lógica. E se abraçar com força descomunal, até que os braços queiram arrebentar, toda a defesa que hoje possa existir e por acaso queira nos afastar. E esse momento tão pequeno e gentil e a beleza que ele pode abrigar. Querida, nunca mais se deixe esquecer aonde nasce e mora todo o amor.” (off: eu li Orange esses dias e, pra mim, essa música super combina com o clima do mangá).

Têm algo nesse trecho que me comove muito. Não sei explicar. Cada frase vai te intrigando e te cativando. Eu já ouvi várias versões dessa música depois, mas pra mim, essa é que eu mais gosto. Eu gosto muito de todas as músicas deles, apesar deles terem ficado famosos apenas com o clipe lendário de “oração não é tão simples quanto pensa...”.

Tava dando o fim do mês e eu não tinha colocado nenhuma do Mamamoo, não dá pra ter uma seleção das mais tristes, sem as mamas da bossa nova e do jazz. Pra mim, as mais lentas e mortinhas delas são as que eu mais gosto. Então vou dar destaque para a icônica Where are we now, pra chorar pós disband e a melhor das titles Wind Flower, amo, aclamo, desserve more, só quem viveu sabe!

Meus planos era deixar Sakura da Rosalía como a última música da play, mas decidi por colocar a versão dramatic de Wind Flower que tem uma instrumental belíssima e animada, deixando uma sensação de “get better day by day”. E no momento é esse o sentimento que tô querendo pra encerrar esse mês.

 

Menção honrosa a alguns vídeos:


Acho que eu fiquei afetada com a notícia de que tão fazendo o filme do último livro da saga Jogos Vorazes. Que bem, por acaso, eu já estava lendo antes mesmo de sonhar com isso. Percebendo aqui que de todas as sagas, trilogias, fantasias e distopias, Jogos Vorazes foi a única que eu me engajei pra ler os livros, então tenho uma carinho especial. Esse lyric vídeos me impactou muito na época e parece uma música esquecida do Coldplay.


Quando eu fui preparar essa postagem, notei que apagaram do Youtube um vídeo de To Build a Home que eu amava muito, que só depois de muitos anos que eu descobri que não era o clipe oficial. Era só um vídeo “caseiro” de alguém filmando várias pessoas num parque, fazendo coisas diferentes. Esse vídeo me dava vontade de sair fotografando pelas ruas. Era um sentimento muito bom. Eu achei que tivesse ele baixado, mas me enganei, então sai procurando no Vimeo, no Billibilli e por fim achei no VK – com link pro vimeo (olha o tamanho da viagem !!!)...Eu gosto muito das músicas do Patrick Watson e apesar dessa música ser bem saturada nos tiktoks da vida, eu AMO essa música demais da conta. Ela me traz paz (agora eu tenho que caçar meio de baixar esse vídeo).

A criança brincando capoeira e a bandeira do brasil na blusa.


Por fim, ainda na série de instrumentos que podem trazer calma, temos um solo de bateria nessa música do KARDI (no minuto 4:21), que eu ouço quase todos os dias e me transporta pra outra dimensão, pela forma como o baterista toca. Além da voz da Yeji que é surreal!

2 comentários:

  1. São poucos os grupos que vejo, e geralmente só kpop. Mas eu até que gostei das melodias.
    Ain tô tentando voltar a ler os blogs, tô tão perdida normal kkkk, mamamoo, grupo maravilhoso 🥰

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    1. hahaha fique tranquila, eu passei um bom tempo so ouvindo kpop sempre todo dia, os mesmos grupos, agora to voltando a ouvir e conhecer outras coisas. Que bom que o climinha da playlist te agradou. Sim, Mamamoo é maravilhoso, é sempre bom repetir isso!

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