Enquanto lia o mangá, fique me perguntando: "por que a gente precisa dessas coisas pra lembrar-nos de valorizar nossa vida?" e, ao mesmo tempo, pensei em como é bom que tem essas coisas pra lembrar a gente. "Essas coisas" a qual me refiro são, especificamente, produções artísticas e não eventos traumáticos (tal como os vivenciados pelos personagens, mas que também cumprem o mesmo propósito de lembrar o valor da vida, afinal k). Essa é uma das mágicas da arte, fazer você sentir sem necessariamente vivenciar (os traumas dos personagens).
Eu conheci esse livro num episódio de BTS in the SOOP (kpop contribuindo para a leitura dos jovens, amém), mal sabendo que era um livro cotadíssimo, não por causa do BTS kk, mas por estar na lista do Good Reads de 2021 como melhor livro de ficção. Acho que todo mundo leu ou ouviu falar desse livro.
O título me chamou atenção e depois a sinopse, além de ser curtinho. Fui baixando e lendo, pra não perder o pique. Não posso ver uma biblioteca e uma viagem no tempo, nesse caso uma viagem entre dimensões. Apesar de abordar suicídio e depressão, parece um livro infantil de fantasia. Foram as minhas próprias referências, nao necessariamente a narrativa, que me carregaram por esse livro. Eu ia lendo e lembrando de outras coisas que já tinha lido ou assistido.
— Nós só sabemos o que percebemos. Cada coisa que vivenciamos é, basicamente, apenas a nossa percepção dela. “Não é aquilo para o que você olha que importa, mas o que você vê.” (pág. 239).
No geral, é um bom livro pra ler em fim/início de ano, por ser esperançoso e fazer você refletir sobre escolhas e arrependimentos, também é fácil de ler se não se importar com o subtexto suicida e depressivo.
A protagonista é uma pessoa bem chatinha que acredita que a vida poderia ser melhor se ela tivesse feito x escolhas diferentes. Bem naquele pico depressivo ansioso em que tudo é autocentrado. VOCÊ estraga tudo na sua vida e na vida de todos ao seu redor, então o mundo seria melhor sem VOCÊ. Cu. A história toda do livro é a protagonista descobrindo que não é tão fácil assim.
Polêmica.
Tem um dizer meu que eu uso muito com outras pessoas e comigo: você vive depois que morre. É sobre a vida continuar depois de eu achar que não vou ser capaz de sobreviver à uma situação horrível. Ai depois que a situação passa, eu descubro que era só ansiedade e que poderia ter sido pior do que realmente foi. Ou poderia ser melhor também, mas ai tem que ter vivido pra saber. Ás vezes eu não sobrevivo mesmo. Ás vezes é algo que me destrói e me mata por dentro. Mas cá estou eu contando história, kiah. Não é muito otimista, infelizmente é a vida 🤡.
Tem uma parábola asiática que eu gosto também, que diz (nas minhas próprias palavras) se você não pode resolver o problema agora, então não tem nada a se fazer. Se você pode resolver agora, então resolva. No fim, nas duas situações postas, não há problema algum. Eu tento lembrar dessa parábola pra me acalmar.
Graças a esse livro, eu reli O mundo de Sofia, porque a protagonista é formada em filosofia e ao longo do livro ela solta alguns quotes que contextualizam a situações na história. A leitura também me fez reassistir um dos meus filmes preferidos, Homestay (2018), um drama/fantasia/ suspense tailandês baseado num filme japonês de animação (Colorful, 2010), cujo protagonista reencarna no corpo de um menino que se suicidou e precisa descobrir porque ele se matou. Esse filme me fez olhar por livro com aquele pensamento de: viu como poderia ter sido melhor? Mas é uma questão de abordagens diferentes.
Não que o livro seja de todo ruim, no fim, o que eu mais gostei foi a premissa, o cenário da biblioteca e as analogias da vida com as mil possibilidades que um movimento no xadrez pode gerar, tal como as escolhas tomadas na vida. Não foi uma leitura que me decepcionou nem me surpreendeu, foi bom pra passar o tempo.
O final pode assumir um nível de otimismo súbito, mas não acredito que no final da história a protagonista superou a depressão ou não vai mais tentar nada contra a vida futuramente, não é assim que funciona, ainda mais sem ajuda de um profissional. Mas até aquele momento ela achou algo pelo que viver, uma mudança de mentalidade. Já é metade do caminho pra uma estabilidade e qualidade de vida... pra algumas pessoas.
Uma das coisas que eu gosto do final de Homestay é que ele termina com esse clima de otimismo, mas todo o trajeto até o final torna o desfecho mais complexo do que simplesmente “seja grato pela vida que você tem”. Termina com um peso de: This life it’s just a homestay, você vai morrer a qualquer momento mesmo, então vamos viver um dia de cada vez. O mesmo sentimento que a pandemia despertou em mim aliás, sem a parte da reencarnação kiah.
O gatilho meu pai... segue alguns quotes pra eu guardar.
Quando você fica muito tempo num lugar, esquece como o mundo é grande e vasto. Não tem noção da extensão de suas longitudes e latitudes. Assim como, supôs ela, é difícil ter noção da vastidão dentro de qualquer pessoa. (pag. 153).
— Olhe para aquele tabuleiro que colocamos de volta no lugar — disse a Sra. Elm, com suavidade. — Veja como parece estar em ordem, em equilíbrio e estático agora, antes do início da partida. É uma coisa linda de ver. Mas sem graça. Sem vida. Porém, assim que o primeiro movimento é realizado, as coisas mudam. Elas começam a se tornar mais caóticas. E esse caos cresce a cada jogada que é feita. (pag. 215).
O paradoxo dos vulcões é que eles são símbolos de destruição, mas também de vida. Assim que a lava reduz a velocidade e esfria, se solidifica. Com o tempo, se decompõe, transformando-se em solo — um solo rico e fértil. Ela não era um buraco negro, decidiu. Era um vulcão. E, como um vulcão, não podia fugir de si mesma. Ela teria de continuar ali e cuidar daquela paisagem desoladora. (pag. 306).
Não foi meu livro preferido, mas pelo visto eu escreveria todo um TCC sobre ele.
Créditos [1: ilustração de Evan M. Cohen] [2]



Deve ser profundo. Gosto de coisas profundas, faz tanto tempo que não leio, pensando em comprar um livro um dia desses.
ResponderExcluirOh mulher, nem é tão profundo assim, mas depende do seu estado de espirito quando for ler. Pode ser bem besta e superficial e pode conversar com o que você tava pensando e ganhar um significado enorme. Mas é bem curtinho e fácil de ler, então serve como passatempo. Eu não recomendo, porque nunca gosto de recomendar as coisas que eu vejo, só comento sobre mesmo. Sem criar expectativas em cima.
ExcluirMas se servir de recomendação, fazer uma releitura de algum que você gosta, pode ajudar a voltar a ler.
Oie Lana, tudo bem?
ResponderExcluirA princípio pensei que vc super gostou do livro, depois percebi não, depois acho que gostou, depois não kkkk.
Eu vejo esse seu post como um sinal pra mim. Eu tenho esse livro aqui em casa mas ainda não li (ganhei de presente a um tempo), e nesse momento eu to passando por um dos meus momentos de arrependimentos de escolhas de vida. Pensando como as coisas seriam se eu tivesse tomado x decisão, e como ter coragem pra correr atras novamente hoje, aos quase 30 anos. Acho que a leitura talvez possa abrir um pouco minha cabeça. Vou sair de férias daqui a dois dias, então acho que seria o momento pra ler ele e refletir em algumas coisas.
Amei o post e suas reflexões sobre o tema.
Nem sempre consigo comentar aqui, mas eu to sempre lendo seus posts novos que saem!
PS: Amei a carinha junina do blog <3
Um beijo!!
hahahaha Por isso eu disse que é uma leitura importante, não necessariamente preferida. Porque eu não gostei, mas também não parei de pensar nele. Então de alguma forma conversou comigo e eu guardei coisas boas dele. Mostrando que não é tão simples assim, classificar algo. No caso, não é tão dual.
ExcluirComo eu disse, é um bom livro pra inicio de ano ou início de ciclo. Se você ta nesse clima, talvez converse bem com você também! Aproveita que já tem ele físico e já desocupa estante. Se você não gostar, faz um troca, leva num sebo, doa pra outra pessoa. Ao serve como atividade completa. Mas acredito que você vai gostar, leia com o coração aberto.
Que fofa (´▽`ʃ♡ƪ), que bom que gostou e obrigada por acompanhar, sem problema se não der de comentar. Um xero e boas férias!
Só vou dizer que seus pensamentos sobre o livro me lembraram de uma postagem que uma amiga minha tinha feito sobre o mesmo livro meses antes, aí antes de comentar resolvi ler a dela para ter dois pontos de vista diferentes e ...é ... quando eu terminar todos os livros que tenho para terminar de ler, vai ser um título que terei em mente, só pra ver se eu não vou querer socar a protagonista, como eu mesma tenho vontade de fazer comigo as vezes, hah!
ResponderExcluirMas gostei bastante de como ele sempre volta a sua mente como referência a outras obras, isso sim é um feito deveras marcante minha cara uwu
Vou ficando por aqui, até outra hora ☆ !
Você vai querer socar a protagonista sim, espero que sim. Já aceitei que é essa a função de protagonistas, serem insuportáveis kkkkk. Quem quer que leia nossa historia de vida ia querer bater nossa cabeça na parede com todas as burrices que a gente faz e pensa, mas faz parte da vida.
ExcluirCertamente foi um livro marcante, mas não recomendo a leitura não... assim, não recomendo nenhuma leitura que eu faço e escrevo aqui no blog, fica ai por conta e risco. 🤡 Boa sorte kk. Qualquer coisa me conta o que achou!