Vícios de linguagem das redes sociais e um monte de outras coisas

Mais recentemente eu acompanhei uma treta no Twitter; já antiga, recorrente e gringa, de estranhamentos que pessoas sentem ao tentar usar o AO3. Muita gente não gosta do formato não-rede-social do repositório e gostariam que tivesse aquela estrutura já conhecida de redes sociais, tal como um Wattpad da vida. Enfim, muita gente achando que toda plataforma tem que ser igual a uma rede social com algoritmo que estraga tudo o que toca, por simples mal costume de já ter chegado numa internet funcionando assim. 

Atualmente a impressão que eu tenho é que todo dia surge um conflito geracional na internet, que deve acontecer todo dia dentro da casa das pessoas normalmente, ou nas escolas, mas quando acontece na internet todo mundo consegue acompanhar todo dia em um canto diferente do mundo. Ai fica aquela impressão de que é algo grandioso, quando na real só é comum e esperado... Como esquecer todo o rolê que foi a descoberta do "movimento cringe" k. Um surto coletivo igual a tudo que acontece no Brasil, que normalmente é importado de fora. 

Os refrescos da globalização...

Há uns meses, eu percebi que as pessoas estavam se comunicando no Neocities cada vez mais semelhante como no Twitter (o que é preocupante). O site teve um boom de usuários depois dos boatos de compra do Twitter por milionários.... só pra mostrar que nenhuma plataforma é eterna e os espaços virtuais estão sempre passíveis de sumir. Talvez esse aumento no trânsito tenha influenciado o perfil dos usuários no Neocities, talvez não.

Há pouco tempo, tiveram uns dramas muito grande que ainda hoje reverberam lá, eu não fui atrás pra saber, porque não me interessava. Mas serviu pra confirmar minhas suspeitas sobre o padrão Twitter de lidar com a comunicação dentro dos espaços virtuais (e as vezes fora, uma vez que estamos cada dia mais inseridos nesse único formato de interação polarizada)

Onde há Twitter, não há paz.

Detalhe: ta rolando um movimento de "debandada" do Neocities. Algumas pessoas só resolver sumir sem motivo, outras mudam de plataforma por causa da quantidade de pessoas e seus drama. A tendência é as pessoas que estão em crescimento, envolverem-se em alguma treta e se abalarem com isso acontecendo numa plataforma alternativa. O que é engraçado, porque eu vejo mais esse tipo de problema com quem costuma comemorar visualização e número de seguidores: o que eu sempre achei um comportamento vicioso de rede social. 

Isso me fez questionar se a gente esqueceu como era a internet antes dos apps e redes sociais, se a gente se acostumou com a padronização das plataformas monopolizadas por uma empresa, de tal forma que não sabemos mais dizer a diferença entre elas, nem os benefícios de se participar delas ou se essa sincronia é vantajosa ou não. Ao ponto que, se uma rede social cair hoje, no outro dia aparece outra igual e a gente só vai seguindo e sendo consumidos. A exemplo de quando o Wpp caiu a primeira vez e logo se amigaram do Telegram...


Me pergunto como seria se o Instagram caísse de fato e não tivesse outro pra substituir. Claro que seria uma grande perda material, pela quantidade de gente bacana que faz um uso diferenciado da plataforma e são verdadeiros diamantes brutos perdidos no meio da massa de usuários genéricos e robôs. Será se as pessoais fariam um site próprio, tal como os usuários do Neocities? Será se voltariam pro Facebook? Será se iriam pro Tumblr? E se não tivesse pra onde ir, será o que fariam? Eu sei que muita gente ia perder seu emprego, incluindo eu k.

Essa liga me fez lembrar que, em 2012 eu assisti uma série chamada Revolution, que foi cancelada na segunda temporada *dor. Era uma história sobre apagão de toda a energia no mundo, afetando também satélites e baterias. A série tinha o potencial de virar um The Walking Dead, só que sem zumbi. As próprias pessoas se atacavam, porque era como se virasse um cenário de apocalipse, mesmo tendo recursos naturais disponíveis. Não tinha mais energia, meios de produção e distribuição, voltava tudo a funcionar como no período pré revolução industrial, só que subitamente. As pessoas não tinha fotografias de seus familiares, porque estavam todas em alguma nuvem. Não tinham como se comunicar a distância, nem tinham como se deslocar se não fosse a pé ou sei lá, uma bicicleta, talvez.

Desde então, eu não soube de nenhuma série com essa proposta, sem ser um pós-apocalítico zumbi, de escassez de água ou destruição da natureza. Também não busquei por séries semelhantes, talvez exista alguma perdida por aí.  

off: acabei de descobri que fizeram uma HQ pra finalizar a história da série, explicando as possíveis causas do colapso energético... Quem sabe eu ache pra ler. Mas a proposta era muito interessante e vire e mexe eu me lembro dessa possibilidade, em pequena e larga escala.

Esses dias eu tava conversando com uma amiga que viveu a era de RPG fake do Orkut. Quando a plataforma foi desligada, um dos escritores mais conhecidos do nicho de rpg de Harry Potter se suicidou. Não se sabe muito bem os motivos, só quem conhecia ele no OFF que ficou sabendo. Mas me pergunto do dano que ia causar se uma coisa dessas acontecesse numa escala de apagão das redes sociais, AO3, Wattpad e cia. Inda mais num cenário em que a gente tem pessoas cada vez mais novas sem habilidades sociais e que dedica cada vez mais tempo e esforço criando uma identidade e estilo de vida em espaços virtuais, além das que tiram sustento da internet. 

Eu lembro que sofri muito quando a Minhateca foi derrubada... fiquei doida só de pensar que um vírus tinha levado todos os arquivos do meu computador e vire e mexe fico brocochô quando desativam um blog que eu gosto... Ia ser panca algo assim em larga escala. 

Fica ai a reflexão sobre a dependência criada, reforçada e recompensada da nossa existência no virtual.

Também conversei com essa mesma amiga sobre a época do MSN, quando não tínhamos muito o hábito de conversar com as pessoas em offline, somente quando elas estavam online é que a conversa acontecia e somente quando acessávamos a plataforma no computador. Fora isso, tínhamos o mecanismo de e-mail, que seguia a mesma lógica. Não era um aplicativo ativo 24h no nosso celular, mandando notificações quando bem entende e interferindo na nossa rotina. A gente quem criava a rotina de visitar o MSN e controlava quando iriamos dedicar nosso tempo pra interação láNão era invasivo como o Whatsapp e qualquer outra coisa que colocamos no nosso celular. 

Foi fascinante perceber essa diferença comportamental e geracional gigantesca.

Montar esse texto de formar minimamente lógica, foi um quebra-cabeça muito louco e agora eu não sei do que ele fala num geral, nem que título colocar.

6 comentários:

  1. É por isso que eu amo tanto o formato dos blogs, sempre que eu dou uma sumida das redes sociais é quando fico mais ativa aqui na blogosfera, porque eu acredito que podemos mostrar muito mais de nós em um espaço único confortável na internet ♥ As redes sociais banalizaram qualquer sentimento que não fosse de felicidade e bem-estar, muitas vezes as pessoas só mostram recortes da vida nas redes sociais, somente as partes boas. É uma pena que muita gente do Neocities tenha se distanciado um pouco da plataforma depois que muita gente migrou do twitter. Acho que as redes sociais estão piores do que veneno para a gente, não conseguimos mais controlar nada em nossas vidas, a todo momento estamos sujeitos a interagir cada vez mais com as redes sociais e esquecer de viver a vida.

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    1. Rede social não tem bem um código de conduta do que se deve mostra ou o que se espera mostrar. Apenas tem formatos diferentes, mas o conteúdo acaba se misturando, virando tudo e qualquer coisa. O único padrão é o da agressividade e falta de tato nas interações por comentários/inbox/direct.

      Como eu nunca presenciei nada agressivo em blogs, não me parece algo que cabe aqui, mas vai que eu tô errada.

      Sobre não conseguir controlar nossas vidas, por causa das redes sociais, acredito que isso poderia acontecer com qualquer outra coisa digital. Tipo jogo de video game. Mas como é universal o uso de redes sociais, fica algo mais notável, naturalizado e crônico.

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  2. Oi Lana, amo suas postagens e suas reflexões, mais uma postagem show, como todas as outras.

    Eu, como usa pessoa da geração z que veio após esse mundo de imersão tecnológico, acredito que teria um peripaque. Quando a energia caí aqui em casa eu já entro em surto, não suporto fazendas e lugares sem conexão, nunca fiz um "detox" de internet mas acredito que não aguentaria ficar nem, pasmém, 24 horas sem toda essa tecnologia.

    Eu sou totalmente dependente e sei muito bem disso, mas não faço nada pra mudar (só me mantenho longe de fazendas e parques naturais....)

    Aí eu fico pensando nesse metaverso, a geração alpha que nasceu em 2010, e nessas crianças de 2015 pra frente que literalmente nascem com o tablet na mão, eu acho que a tendência é piorar mesmo............

    Mas voltando a parte inicial do texto, isso das redes estarem iguais, e não sabermos a diferença entre eles é muito real. Eu lembro de 2013 até 2015, (acho que foi essa época) que vários aplicativos diferentes faziam um sucesso pequeno: o Secret, o Vine, Dubsmash, o SnapChat aqui no Brasil. E acredito que o culpado dessa semelhança seja ele mesmo, o Marquinhos!!!! Quando ele roubou a função do SnapChat, todas as redes sociais aos pouquinhos foram ficando iguais, acredito que a única diferente hoje é o YouTube mesmo, isso porque os shorts é esquisito. Mas eu gosto como o Google trata o Blogger: atualizando 1 vez a cada 5 anos e fingindo que a plataforma nem é deles. Faz parecer que o Blogger é "original" sabe, acho que você entendeu.

    Outrossim, postagem incrível, você sempre fala coisas importantes, fico imaginando o futuro de tudo isso, as criancinhas com tablet na boca, se o metaverso vai dar certo, e o impacto aos países pobres (pois eles não acesso a internet e ficariam de fora de todo esse rolê. Isso teria impactos, né?)

    mas se o instagram caísse, nada iria mudar. o Instagram é o suco do Marquinhos, então quem gosta de fotos iria para o Pinterest, do reels, o Tiktok, de postar, Medium, Tumblr ou o próprio Blogger. E claro, os stories: qualquer outra rede social :p (eu quero dizer que o Instagram virou um compilado de funções de outros aplicativos).

    Baby Blue Love

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    1. É muito interessante o choque geracional (nem é, pq pertenço a mesma geração, talvez seja só mais velha que você um pouco), talvez seja só choque de personalidade mesmo. Mas eu amo um mato, lugares sem conexão, natureza, passar o dia sem me preocupar em responder ninguém, me comunicar com ninguém que não esteja presente comigo (no mato).

      Sobre as próximas gerações... eu mal consigo entender a minha geração... avalie.

      Eu dei uma gaitada com a parte do google com o Blogger, realmente, tá otimo desse jeito, finge que não existe.

      Quanto ao Instagram, simmm, um compilado de funções do outro aplicativo e é aí que tá. Se caísse, ia descentralizar todo mundo, o que eu acho ótimo. Cada um no seu quadrado e tendo que criar novos hábitos de consumo que não dependa de um único lugar. Só a nível de alcance que ia reduzir bastante. Mas ai fica minha pergunta: até que ponto alcançar muita gente é bom? quando na real menos da metade dos números de contas que se alcança, vai de fato consumir seu conteúdo/ trabalho/ produto (fica pra um outro texto kkkkk).

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  3. Penso muito nesse apagão! Mais do que deveria inclusive. Sempre que quero criar algo num blog ou outra plataforma que seja eu sou desencorajada pela ideia de que um dia, de repente, tudo isso vai desaparecer. E dada a frugalidade da internet isso pode acontecer num futuro bem próximo. Esse pensamento às vezes me angustia. É terrível. Começo até a pensar que quase tudo ao meu redor também vai desaparecer. Inclusive eu! Que maluquice... Que maluquice é depois de tantas eras de humanidade ainda termos medo da morte (da gente ou das coisas). Muito doido que, naturalmente, sem percebermos, desejamos a eternidade.

    Não acho que tenha cura pra isso :( Acho que menos mal seria não pensar muito sobre isso enquanto o apagão ainda não aconteceu, basicamente. Porque pensar nisso é adiantar uma dor desnecessariamente.

    Bom demais esse post!!!

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    1. Menina chega me deu ansiedade de pensar sobre kkkk apesar do texto falar sobre apagão, não é algo que penso com tanta frequência, ou talvez pense de forma positiva (ou chaotic good).

      De fato, um medo da morte, medo das coisa sumirem, coisas das quais não possuímos e nem cabe a nós possuir. A gente só pode viver elas, de forma efêmera. Já era tempo da gente acostumar com isso, né? Fiquei profundamente reflexiva agora. ( ・_・ )

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