Bookmark: Gabinetes Espaciales

Adoro conhecer blogs de gente do nordeste. E gente que escreve posts grandes, quase sem fim. Quando eu escrevi esse post (em outubro), o Gabinetes Espaciales tava desatualizado com um post de janeiro de 2022, mas pra minha felicidade, Maria publicou algo novo mês passado. Daí lembrei desse bookmark que tava guardado nos rascunhos.

Eu sei que vírgulas e pontos dão o ritmo de uma leitura, mas será se tem outro fator que determina o ritmo ao ponto de você conseguir ouvir a voz de quem escreve ou sei lá o compasso? Eu tenho a tendência a ler e ouvir a voz da pessoa, mesmo não conhecendo ela. Talvez seja coisa da minha cabeça. Ano passado eu descobri que tem gente que não tem a vozinha da cabeça, é um completo silêncio inclusive pra música, elas não cantam música na cabeça, nem leem textos com uma voz na cabeça. Eu sou do time que tem sempre uma voz na cabeça e nunca fica silencioso lá dentro.

Então de acordo com minha cabeça, os textos de Maria tem uma voz madura, calma e lenta.  Ela escreve pra si mesma, parece que escreve tal como fala, o jeito que ela traz algumas referências, cita nomes e situações avulsas que só ela vai entender, mas não é necessariamente confuso de ler, é só íntimo mesmo. É divertido e reconfortante, porque parece que ela tá conversando comigo e eu estou ouvindo, como normalmente faço em conversas presenciais.

Eu normalmente leio meus textos de forma apressada, então me pergunto qual voz devo ter na cabeça das outras pessoas quando leem. Se dá de perceber uma mudança dependendo do tipo de texto ou perceber o sentimento que eu sentia quando escrevi. Ou só eu percebo isso porque sei como eu estava me sentindo quando escrevi. Sei lá.

Ela me fez adicionar alguns livros no Skoob para ler um dia, quem sabe, dar uma olhada depois. Mesmo com poucas palavras em suas resenhas, que falam mais sobre ela mesma do que sobre livros, ela consegue me fazer querer ler também. Eu amo esse tipo de "resenha" de livro, que não só conta uma sinopse. Ela também cita Jana Viscardi nos textos dela, o que achei inusitado e recentemente escrevi um texto sobre Jana lembrando dela. 

Agora, relendo o blog, adicionei mais livros no skoob e coletei mais outros trechos que dão certinho com outra coisas que andei escrevendo recentemente e quero citar aqui:

[...] qual o problema em aceitar que algumas coisas são só rabiscos (ou besteiras) subjetivos que têm como propósito mostrar como me senti ou o que pensei quando entrei em contato com o que tá por aí?

[...] (as coisas podem, mas nem tudo precisa virar trabalho acadêmico, texto no blog, post nas redes sociais, conversas com amigos virtuais, podcast, vídeo, filme, livro, música. e eu digo isso pra mim mesma. às vezes)

[fonte: sempre acaba virando um texto sobre outra coisa]

não sei se faz sentido começar dizendo que meu nível de leitura de comentários é muito mais alto que o de qualquer outro gênero. ou que como não sei escrever, leio. mas também escrevo, só que não comentários. desses eu me contento em ser espectadora.
às vezes eu me agarro em alguém e faço daquela pessoa um modelo. meu. pra quase tudo. alguém em quem me inspiro de um jeito imprudente mesmo. alguém que nesse contexto que crio me agitaria. com imperfeições que julgo interessantes. com quem eu penso me identificar. que se daria bem com meu eu idealizado. que tenha posicionamentos e atitudes que eu gostaria de ter, ou que penso ter o potencial de ter.

[...] essa mania de colocar pessoas num lugar isolado, num espaço sobre-humano, afastadas de tudo o que a realidade pode supor. e não permitir que ela se equivoque em momento algum. uma tendência complicada de transformar os erros, mesmo os mais "banais", numa condenação de uma vida inteira sem a possibilidade de mudar. de se retratar. de despencar na real.

2 comentários:

  1. caramba, 'lana! não tava preparada (mesmo) pra ler esse post aqui. fico até sem saber como me comportar! foi proposital um texto sobre o gabinetes ficar nos rascunhos por um tempinho, não foi? hahah é desse jeito que a gente faz! sou meio paranoica com essa coisa de possibilidades. de tudo o que a gente tem pra escrever e pra ler. principalmente em redes sociais (aqui também - de vez em quando releio posts do blog me perguntando se não soou pretensioso, *repetitivo*, ou, sei lá, egocêntrico), onde você é aquilo ali. e aquilo ali pelas diferentes perspectivas. ao mesmo tempo existe essa teia blogueirística, que é um negócio tão louco. porque a sensação é de que os acordos estão postos sem nem terem sido discutidos. e as relações têm essa base de liberdade, muito reais também no sentido de que cada um é o que é e o outro só contempla aquilo sem exigir nada. obrigada por esse olhar tão atencioso! espero que a gente possa conversar por muito tempo. amo, amo, amo esse lugar! <3

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    1. Ai que sustooooo, eu tô agora mesmo respondendo os comentários atrasados e do nada aparece uma atualização do teu comentário. Eu também não tava te esperando por aqui. A blogsfera está realmente mais conectada que o normal, isso é bom.

      Acho que foi proposital, sim, à espera da tua volta. Pra minha surpresa, você postou algo novo no mesmo dia que eu fiz esse post. Sinais, fortes sinais hahaha.

      Eu já aceitei que soo pretenciosa e repetitiva mesmo, sem medo de ser feliz. Não acho que seja um problema, ainda mais se falando de blogs. Quanto antes a gente tira essa barreira (que tende a se reerguer, pois vez ou outra as inseguranças tornam a voltar), melhor pra se sentir a vontade no seu espaço. Como você disse, o outro contempla sem exigir nada, mas a gente se exige muito e estraga tudo o que toca e tudo o que cria, se tiver com essa mentalidade, com medo de como vai soar. A auto cobrança sempre vem, mas a gente tem que ta sempre se lembrando que não precisa, ninguém tá cobrando e ta tudo bem. Sorry nem sei se era sobre isso que tu tava falando, me empolguei.

      Nossa, obrigada por passar aqui, pelo comentário, pelo seu blog... espero o mesmo, vamos conversar mais vezes. Até mais! (☆▽☆)

      *postado após 40 min de contemplação e releitura.

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