Li A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes pra dizer que sou fã antes do filme

Existe um post de leituras do segundo semestre de 2022, que nunca foi publicado, nem sei se um dia será 🤡. Quem sabe, se eu achar relevante ou coerente com o momento que eu tiver vivendo na minha vida, talvez aconteça. Igual vai acontecer agora com esse post específico sobre um livro apenas. 

No texto passado, eu falei sobre adaptação para live action e esse livro vai ter sua adaptação lançada esse ano ainda, então vou aproveitar pra postar antes e depois, quem sabe, fazer minhas considerações sobre o filme. Pois, acredito que essa será a primeira vez na minha vida em que eu vou assistir um filme depois de ter lido o livro. Momentos inéditos da minha vida com leitora. 

(Mentira, eu li A Culpa é das Estrelas e O Pequeno Príncipe antes de sair os filmes... mas tá valendo).

Como eu sou dona de fazer textos longos sobre livros que eu não gosto, vamos de A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes (Suzanne Collins, 2020) com um texto escrito ano passado:

⚠ Isso não é uma resenha

Sinopse | Páginas: 576 | Finalizado em: junho de 2022

Esse foi na raspa do tacho do mês.

Sem saber que vinha um filme por aí, comecei a ler o spin-off de Jogos Vorazes, que não por acaso foi minha primeira saga/trilogia de livros. Eu devo ter terminado de ler a trilogia em 2015, pegando emprestado de um colega.

Agora, tô me vendo como uma pessoa fã raiz que acompanhou a escolha de elenco em 2012 e agora está acompanhando novamente, pra adaptação desse livro. Ainda que sem muito interesse, ta sendo curioso ver quais são os nomes famosos da mídia americana, pro público jovem atual.

Falando da leitura, esse livro me fez lembrar o motivo de eu não gostar desse gênero k. Eu demoro muuuuito pra pegar o ritmo e me apegar a história. Nem sei dizer se é típico de ficção juvenil americanas (?), ou de distopias com adolescentes e romance dentro (?). Não sei dizer. Talvez meu problema seja a idade da galera, porque não é infantil suficiente pra ser empolgante e besta, de um jeito legal. Só é tolo, pra mim. Crianças são mais inteligentes e interessantes, do que essa galera adolescente. Foi o mesmo sentimento que tive lendo as primeiras páginas da trilogia, que eu só li porque gosto muito dos filmes e acredito que os filmes salvam muito a história e, principalmente, a protagonista. Ou talvez seja um apego meu da adolescência pela trama e o tom revolucionário, em contexto do governo Dilma k... 

Pra minha surpresa, só quando eu tava pela página 300, foi que notei o tamanho do livro de fato. Acho que foi quando eu comecei a me arrastar pela história. Apesar disso, ler e catar as referências me chocou, porque eu lembro zero informações dos três livros, mas foi escolhido a dedo os elementos chave, como a árvore dos enforcados e a questão dos tordos no distrito 12.

O que eu tenho a dizer sobre a história é que cria espaços pra quem quiser fazer fanfic sobre o fim de cada personagem. Não vou mentir que fiquei bem empolgada com a presença de Tigris nessa história, mas fiquei muito desapontada com sua ausência também. Eu criei uma fanfic na minha cabeça que não se concretizou, ai me resta vender minha ideia pra alguém escrever ela pra mim... A minha sorte é que vai sair o filme, que vai ressuscitar esse livro e talvez alguém com boa imaginação se inspire pra escrever fanfics sobre os personagens. Pois, no momento, o AO3 tem pouquíssimas histórias e a maioria ficou perdida na pandemia.

A dinâmica dos protagonistas desse livro permanece a mesma da trilogia, temos o protagonista lerdo, um interesse romântico aspirante a rebelde e um secundário rebelde de fato (na minha fanfic de BL, esse também cumpre o papel de interesse romântico, que na história original só assume o posto de amigo do protagonista mesmo), respectivamente correspondendo a Katinis, Peeta e Gale dos primeiros livros. Só que com uma morte pelo meio, já esperada e nada empolgante. Ou talvez eu só tenha muita dificuldade de me conectar, mesmo. 

Acredito que o livro teria abordado melhor várias faltas, se não fosse uma narrativa de ponto de vista. Apesar de ser em terceira pessoa, algumas coisas ficam só jogadas e esquecidas, porque o Snow não está envolvido e presente. Eu gostaria de saber mais sobre o passado, sobre o pai do Snow, sobre o reitor e a doutora louca, sobre como a Tigris consegue dinheiro em meio a decadência e que a Lucy tivesse sido morta de fato, não só sumido. Mas aí são expectativas minhas que a autora não precisava dar foco, pois não era a proposta do livro. Mas digo que, o Snow jovem é a coisa mais desinteressante que poderiam ter focado como uma história principal com 500 páginas.

Na verdade, foi interessante eu perceber como o Snow desse livro consegue dar um outro tom pro Snow estrategista e controlador dos primeiros livros. Ou talvez seja um ponto negativo, porque tira a única qualidade do personagem, que é ser inteligente. Aqui ele é um covarde de 18 anos e todos os acontecimentos levaram-no a prática de envenenar seus inimigos e a usar uma comunicação passiva-agressiva com ameaças elegantes, ao invés de um enfrentamento direto. É uma estratégia inteligente até certo ponto, se não fosse motivada por fuga e desespero. Não é como se ele tivesse uma personalidade calculista e centrada. Tanto que qualquer adulto da história, consegue notar que ele ta perdido, rodado, falido, fingindo ser o que não é. 

Também, é notável a influência de Dra. Gaul nesse modus operandi que o Snow assume, uma vez que ele foi bem treinado pela doutora doida-psicopata-melhor-personagem-desse-livro. Tinha que ser uma professora loka e má, com conceitos ditatoriais sobre organização e controle de uma sociedade pra dar um pingo de personalidade pra esse bundão. Logo, ele é órfão e apegado a figura da mãe dele, só precisava de uma figura materna pra acolhe-lo e achou.

Tirando a Tigris, o reitor e a doutora, não teve nenhum personagem que me interessou. E tem bastante gente, é cheio de nomes que eu não conseguia relacionar porque a função deles era só morrer ou sumir. No fim das contas, o livro é um só um spin-off que num interessa. 

Essa foi uma leitura que eu fiz fora de casa, quando estava sem acesso a internet. Então eu ficava em público no celular, lendo em PDF. Nas 100 últimas páginas eu passei a ler todas as noites. Ansiosa pra terminar, não porque estivesse bom de ler, é só que ficou monótono e desinteressante, mesmo acontecendo várias coisas e muito rápido.

Espero que o filme expanda mais a presença de outros personagens e do universo em si, talvez deixe o livro mais interessante do que o romance dos protagonistas. Ou pelo menos deixem o romance mais fofo, porque no livro me parece tudo muito súbito e moooooorno. A graça de uma adaptação pra filme é a possibilidade de mexer no roteiro e dar um melhor rumo das coisas. Apesar das expectativas, tô mais curiosa do que otimista com esse filme.

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Do nada eu achei [esse vídeo] (que eu só assisti em setembro) mostrando diferentes opiniões sobre o livro e eu gostei de todas, só não a parte do Snow ser um psicopata (na minha concepção, o Snow não é e nem tem apelo de ser um psicopata, ele é um covarde). Concordo que poderia ser um musical mesmo, ao invés de um filme, porque o livro é cheio de músicas que justifica o título do livro e eu gosto de musicais. Toda a crítica sobre a necessidade de fazer um livro com a mesma estrutura da primeira trilogia, é válida.

Essa discussão é muito boa, porque destrói qualquer coisa boa que se possa pensar sobre o livro kkkkkk eu amo isso. Pena que não se acha esse tipo de debate com mais frequência, cheios de informações sobre a história. Na maioria das vezes os vídeos presam por não contar a história, em nome da preservação contra spoiler, que mais desmotiva do que incentiva a leitura. 

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