Esse texto foi escrito há em janeiro de 2023.
Em novembro do ano passado (2022), eu me dispus a assistir algumas produções LGBT+ por causa de Heartstopper, mais precisamente por causa de Kpop, mais especificamente por causa do Onlyoneof (um grupo nugu de kpop).
Foi um mês movimentado para o grupo, que anunciou participação como elenco principal em um BL e isso gerou controvérsias desnecessárias dentro do fandom (de 15 pessoas no total) que não apoiou a ideia. A maioria baseado em concepções homofóbicas mesmo, disfarçadas de sei lá o que (porque ocidental valida produções taxadas de LGBT, mas tem preconceito com BLs), mas não influiu nem contribuiu porque as gays sempre vencem e vão vir aí em 2023 com uma agenda lotada. Mas esse texto não é sobre isso, exatamente.
Na verdade, o foco do texto é sem foco. Começo falando duma lista de coisas que eu assisti. Tenho meu momento de falar muito mal de Call Me By Your Name e faço um milhão de perguntas sobre o que esperam de filmes LGBT+. Depois falo sobre expectativas que a divulgação de Heartstopper criou pra série. Falo do meu problema com produções LGBT+ e porque eu gosto de Boys Love, e repito bastante os dois termos de forma gramaticalmente duvidosa. Peço encarecidamente pela saturação de produções lgbt no mainstream. Falo sobre repertório limitado de público e o parâmetro de qualidade baseado nesse repertório, vulgo o demográfico para o qual se direcionam filmes e séries LGBT+ ocidentais. Tudo isso num texto enorme sem conclusão.
Talvez todo meu texto concentre-se mais no perfil de quem consome e o que foi falado ou deixado de falar sobre as obras, do que nas obras em si. Mas vamos lá...
Segue a lista de assistidos, na ordem que foi assistida, que acabou saindo em ordem decrescente de lançamento:
- Heartstopper (season 1) (2022)
- Uncopled (2022)
- Love, Simon (2018)
- Call me by your name (2017)
- Moonlight (2016)
Importante perceber que eu assisti essa lista com dois pés atrás, o que certamente influenciou nas minhas impressões. Do nada bateu um medo de terminar o texto me revelando uma homofóbica hahaha desespero.
Relatos sobre os filmes, que não estão na ordem da lista
Heartstopper
Eu tava esperando passar o burburinho com Heartstopper que não me empolgou em nada pra assistir, desde que lançou. Porém, coloquei na lista pra algum dia, por motivos de estudo e esse dia chegou no mês passado (novembro). Com toda uma treta por causa de acusação de queerbaiting, onde eu entrei em nome do Onlyoneof que todo mês é acusado de queerbaiting de graça, porque a galera não sabe consumir nada se não for pra invalidar em nome de representatividade a qualquer custo. Eu não vou entrar no mérito de discutir queerbaiting aqui, por mim esse termo poderia morrer, já que ninguém sabe o que significa, tendo em vista a forma que andam usando deliberadamente por aí.Ás vezes, o problema é o fandom/ público ou a forma como as coisas são noticiadas, porque cria uma expectativa ou deposita uma responsabilidade muito grande numa coisa só, sem que esse seja o objetivo ou o cacife da coisa. Eu lembro que essa série tava sendo divulgada como a primeira produção leve e feliz, com relacionamento saudável e sem sofrimento, diferente do padrão nas produções LGBT que são sempre tristes.
Não mentiu, mas ao meu ver, Heartstopper poderia ter passado despercebida, o que seria melhor pra ela e os envolvidos. No sentido de não ter nada de extraordinário nela e nem precisa ter. De fato, é uma série legal e mais tarde eu volto nela, mas por causa dessa divulgação e da repercussão, eu fiquei me perguntando se é a primeira vez que ta tendo uma produção LGBT no ocidente desse tipo (leve, escolar, romântica, fofa)? E se for... quanto atraso pra um hemisfério que se vangloria de muito no âmbito da liberdade, representatividade e direitos humanos. O que eu falo aqui nem tem a ver com o enredo ou a qualidade da série, nem a relevância social dela. É só uma análise sobre o que escolhem repercutir e de que forma fazem isso.
Love, Simon
No tópico de produções escolares e leve, eu lembrei desse filme que não é tão antigo assim, mas aparentemente já esqueceram na fila do pão. É fofo e com final feliz. Faltou a cota bissexual e lésbica, mas não deixa de ter o mesmo clima de Heartstopper. Não sei quanto a recepção do filme na época e o que acham dele hoje em dia, mas gostei muito. Eu sou uma pessoa que gosta de filmes de sessão da tarde e esse é o típico filme narrado por um jovem, na escola, vivendo dramas adolescentes, com o subtexto gay e a vivência de cyberbullying/ reputação na internet. Tem seu momento de drama suficiente, presença da família e final feliz. Tudo de bom e simples, uma história escolar clichê com gays.
Vendo esse filme e pensando na distância dele pra Heartstopper e até pra Love, Victor, era de se esperar que ja tivessem lançado um filme desses com cada uma das siglas, em diversos contextos sociais diferentes, até esgotar as possibilidades. Igual os milhares de filmes de comédia romântica adolescente dos anos 2000. Um diário de uma princesa lésbica e tudo o que há de fanfic já escrita com lgbts protagonistas. Pra ver se param de canonizar produções específicas e param de exigir delas o papel de reparador histórico com todo o tipo de representatividade existente no mundo. E que a cada geração, renovem a cota de filmes desse tópico, igual vem acontecendo com o terror e subcategorias.
Call Me By Your Name
Então eu me meti a besta de ver Call me By Your Name, que eu relutei muito em ver e me arrependo, pois não agregou em nada na minha vida, passei semanas de ressaca desse filme, falei mal dele todos os dias pros meus amigos, desde então tô tentando entender porque aceitaram tão pouco, que é quase nada, com esse filme.Tentei considerar o discurso da importância e a falta de filmes com romance gay ou LGBT+ na indústria (o que é uma grande mentira), mas eu fiquei me perguntando se vale tudo mermo em nome de representatividade ou por causa da escassez de produções ocidentais? Será se as gays que assistiram esse filme realmente se viram nesse filme, ou se ficaram felizes de ver dois homens se beijando num filme pela primeira vez, ou se acharam aquilo saudável, ou se o monólogo do pai no final do filme foi algo relevante de fato? Esse filme foi produzido pra que público? Será que é isso que esperam dum filme LGBT? Ou melhor, o que diabos esperam dum filme taxado como LGBT? Não sei, não sou um menino gay em busca de filmes com gays, pra me identificar. Mas pra mim o filme é um monte de NADA e pior, ele tenta ser alguma coisa, algo poético e etéreo. Só que falha miseravelmente.
Uma das coisas que me motivou ver esse filme, foi o solo do Rie, do Onlyoneof, que tem como refrão essa expressão “call me by your name”. Na música, o sentido dessa expressão é bem colocado e dá um significado muito bonito e pesado pra música toda, em um contexto de separação. Daí eu pensei que também fosse algo significativo no filme... e olha... se era pra ser, pois falhou miseravelmente de novo. No filme o uso dessa frase é tanto súbita, quanto sem sentimento algum. Ou eu que sou sem coração e não me derreti pelo romance, nem me compadeci pela gay largada. Talvez me falte poesia... mas tô bem com minha condição.
Será se a qualidade de uma obra se resume a uma bela fotografia, mesmo o roteiro sendo ruim? De que vale uma representatividade de fachada? Não tenho respostas e cada vez que eu penso nesse filme, eu me faço mais e mais perguntas.
Moonlight
Depois de três semanas tentando voltar a ter vontade de assistir outra coisa, eu finalizei a lista com Moonlight, que está na lista por causa de uma única foto: o Junji do Onlyoneof, posando na frente do poster (pra um photoshoot de álbum do grupo).
Mentira, eu queria assistir esse filme desde que foi lançado, mas só fui deixando de lado com o tempo. Junto da minha vontade de ver qualquer produção LGBT. Na época, uma amigo meu me indicou e contou toda a história pra mim. Eu já não lembro de nada do que foi falado, mas lembro de ter gostado do que ouvi.
Agora que eu finalmente assisti, eu tô aqui em um profundo momento de reflexão tentando entender como esse filme foi engolido pelo hype de Call Me By Your Name. NÃO TEM CONDIÇÕES! Não sei nem em que pé anda no quesito aclamação, porque essas produções são canonizadas por um tempo, passa dois anos e todo mundo só sabe falar que é uma bomba e que o filme nunca prestou, então não da pra confiar muito no gosto dessas gays que cospe no prato que lambeu, mesmo a comida sendo ruim desde o início. E eu to falando de Call me by your name.
Fiquei pensando se é realmente uma questão de gosto e cada um ter o seu, talvez o que eu não gostei pode ter sido muito significativo pra alguém. Igual milhares de obras que eu sinto como se só eu gostasse, porque reverberou bem comigo e com a época em que eu assisti.
A cena da diretora da escola ficando em silêncio, é de uma sacada tão boa! A história consegue ser contada mesmo sem todas as informações, devido as passagens de tempo com cortes abruptos e os silêncios. Muito consegue ser compreendido, mesmo nesses momentos. Sem esquecer que fotografia também é roteiro, não é só um momento de mostrar uma cena bonita pra transição de cena.
Na real, Moonlight conversou muito comigo e nem precisou eu ser traficante e ter uma família desestruturada pra sentir o que esse filme me fez sentir, não precisou ser totalmente dentro da minha realidade pra eu entender. Ta vendo onde a conversa de representatividade perde o sentido? Pois, mesmo não me representando, deu pra me conectar, deu pra sentir a solidão, deu pra sentir a impotência, deu pra sentir a apatia dentro da vivência negra, masculina e gay apresentada na história desse filme.
Mas todo filme LGBT+ serve pra que você se identifique? Não. Acho que filme nenhum. Ao menos não deveria. Nem serve pra educar pessoas com um discurso social de conscientização, ainda que consiga fazer isso. Serve pra contar uma história, fodaci se vão se identificar e considerar o filme um arauto do movimento LGBT. E por isso, pra mim, o filme lá do pêssego não serviu pra nada, nem pra contar uma história, nem mesmo pro movimento. A única coisa que se salvou daquele filme foi a música e a estética mesmo... ele foi feito pra isso, ser bonito e salvo no Pinterest. Mas me fez cultivar um desprezo, num nível que eu sinto por poucos filmes. E ta tudo bem, não é só porque é um filme gay que vai ser bom. Igual tem milhares de filmes ruins sobre heteros.
Ta aqui uma lição pra gente aprender: filmes que protagonizam ou produzidos por minorias, também podem ser ruins e mal feitos. Não to falando sobre não agradar a todo mundo, to falando de ter procedência e abordagens duvidosas mesmo. E sobre ter o mesmo direito que bilhões de filmes ruins produzidos por homens heteros por ai que não sofrem da mesma exigência por representatividade. Paz.
Uncoupled
O único dessa lista que eu assisti porque eu realmente me interessei foi Uncopled e eu estava certa com meus gostos. É basicamente Sex In The City Gay que me fez chorar com algo muito simples, mas que me é muito delicado. Já começa a história com uma separação e várias questões do mundo gay padrão, mesmo tendo a cota negra e gorda presente. É um sitcon feito pra ter mais temporadas e espero que tenha mesmo, não porque precise, mas por que não ter mais? Tanta série aleatória com 11 temporadas por aí. Bora fazer sitcon gay também!
Eu me perguntei se eu gostei dessa série porque sou o demográfico de gay que ta na idade de casar e mora junto kkkkk. Talvez sim, talvez seja meu gosto por coisas sessão da tarde. Mas acredito que as histórias secundárias me seguraram também, cada personagem é um estereótipo muito bom e bem trabalhado (o gay gordo da galeria de arte, o gay ator narcisista, a mãe solo negra, o drama da rica mais velha separada, o gay principal egocêntrico, o gay rival que também é corretor de imóveis, o marido do gay principal (tendo uma crise de meia idade e fugindo do relacionamento - eu) e todos eles conversam bem no grupo de amigos e no núcleo imobiliário. Pra que trama mais sem graça? E deu tudo certo.
E agora eu volto pra Heartstopper...
Na época que saiu essa série, surgiu um enorme burburinho na comunidade BL do twitter sobre como Heartstopper ganhou uma proporção global tendo um enredo tão básico quanto vários BLs asiáticos que saem todo santo mês (e que ninguém nem ouve falar), somente porque é uma produção americana em uma plataforma de streaming. (Sem falar nas declarações xenofóbicas e homofóbicas que a autora de obra disse em relação a produções BL asiáticas, que não vou me estender aqui, mas são despresíveis)Esse é um tópico delicado. É válido, mas a forma que carregam essa discussão sempre recai num desmerecimento de uma produção queer em nome de outra, gerando um conflito interno entre um grupo que já vive em desvantagem. O grupo do entretenimento gay. Ai vira uma briga de quem merece mais ou quem sofre mais preconceito, que não leva nada a lugar nenhum.
Obviamente, não dá pra comparar o público da Netflix com o público que precisa acessar sites descentralizados (mantido por fãs que traduzem as coisas - fansub) para assistir suas séries asiáticas aleatórias, ainda que algumas estejam disponíveis no Youtube. É uma conta que não bate. Nem dá pra criticar as pessoas que só assistem produções centradas no ocidente e na Netiflix, porque enfim... nem todo mundo se interessa, ou tem a obrigação ou a oportunidade de consumir coisas em outra língua, as vezes legendadas só em inglês e por aí vai.
Concordo que o enredo de Heartstopper seja igual e até mais fraco do que vário BLs asiáticos que já assisti. O que não dá o direito de ninguém desmerecâ-la, até porque não é uma série ruim. É a coisa mais revolucionária do mundo? Não, mas pra muita gente deve ser e que bom que está sendo. Quem bom que estão fazendo produções escolares fofinhas com enredo LGBT baseada em livros/quadrinhos/novels e com isso alimentando toda uma cadeia de produção. Igual o Japão, a China, a Coreia e a Tailândia ja fazem.
E que bom que tem outras série com outras propostas também, como eu já disse, espero que façam filme gay de todos os generos, de ação gay, filme de comédia gay, filme de terror gay, mais filmes de natal gay. Tem espaço pra todo mundo e com as mais diversas narrativas.
O problema foi só o tom de pioneiro que a série assumiu, o que diz mais sobre as pessoas que assistem do que sobre a série em si. Importante lembrar que uma coisa é o que falam da obra, outra coisa é o que o autor/ diretor fala da obra (temos J.K Rowling de exemplo) e outra coisa totalmente diferente é a obra em si. Sem falar que, uma vez que a obra é divulgada e consumida, ela vira outra coisa para além de si mesma. Assumindo, assim, características diferentes aos olhos de cada pessoa que assistiu.
Nisso, eu fiquei pensando que ainda hoje tem uma gama de jovens coloridos desamparados pelas mídias, buscando consumir e canonizar o mínimo de coisas que elas conseguem ter acesso na faixa LGBT, que preste. E que sempre vai ter. Um público que vai desde o que esteve consumindo muitas mídias queer trágicas, até o que não assistiu nenhuma sequer, protagonizada por personagens queer...
Por isso, apesar de não concordar com a fala da escassez de produção queer, repito que eu espero que façam mais séries assim. Não só dessa franquia em várias temporadas. Mas outras histórias, de outras produções, de outras escolas, em outras realidades e por aí vai. De fato, falta uma renovação dessas produções que envelhecem e são esquecidas como Love, Simon e Moonlight. Falta um fortalecimento e uma saturação, tal como filme de herói e de ficção científica. Ou filmes de ação com sequestro que tem aos montes e não param de fazer...
E é exatamente isso que a indústria de BLs está fazendo na Ásia, atualmente. Produções em massa para televisão, protagonizado por meninos que se apaixonam, homens que casam e adotam, colegas de trabalho tendo um caso na empresa e por aí vai... Meu sonho era que a Globo fizesse logo uma série/ novela jovem e escolar gay. Não ficasse fazendo novela retratando adultos que se comportam como adolescentes burros e imaturos.
E digo mais, a malhação (na globo) só se acabou porque não souberam aproveitar, insistindo nos mesmos diretores e roteiristas. Ate porque, aonde que produção com temática escolar cai em desuso, gente? Só no Brasil mermo. Ta aí Heartstopper que gerou o maior burburinho e nada mais é do que um romance escolar.
Divagando sobre público/ demográfico, sobre mim e sobre BLs
Um pouco sobre capital cultural, que eu gosto de chamar de repertório
Eu vi o relato de uma menina que não sabia bem o tipo de livro que ela gostava de ler, pois esteve a vida toda lendo fantasia e hoje em dia ela meio que já se acostumou com a fórmula. As histórias são as mesmas que ela já leu antes, não necessariamente melhores ou mais relevantes. Com isso eu fiquei pensando, se não é nesse momento que você nota que envelheceu ou não faz mais parte do público alvo daquele produto, seja por amadurecimento, seja por desinteresse.Isso me fez lembrar o dia que a Booktuber Tatiana Feltrin criticou Jogos Vorazes, dizendo que não era nada revolucionário ou melhor do que nenhuma outra distopia que ela já leu antes. Ela via mais valor lerem Fahrenheit 451, do que aquele livro de romance infantojuvenil. Óbvio que isso era do ponto de vista dela, na idade dela, com a bagagem de leitura dela. Porém, ela acabou invalidando uma leitura que abriu portas para a distopia no público infantojuvenil, que provavelmente nunca leria 1984 ou Fahrenheit 451 e agora iria ter contato com essas leituras por assimilação devido ao hype da trilogia.
No momento, eu me sinto a Tatiana Feltrin. Eu já vi coisas melhores ou que me agradaram mais, com os mesmos elementos, mas ao invés de invalidar Heartstopper, eu entendo que é uma obra feita pra um público alvo específico que não sou eu. Talvez nem seja pra minha faixa etária. Por isso conversa tão pouco comigo que não sou estudante, nem britânica, ou americana. Meus horizontes são outros. Não que precise de tudo isso pra eu gostar de algo do mesmo estilo. Mas relevemos. É uma produção gostosinha de assistir e nem de longe a melhor que eu já tenha visto.
No momento, eu me sinto a Tatiana Feltrin. Eu já vi coisas melhores ou que me agradaram mais, com os mesmos elementos, mas ao invés de invalidar Heartstopper, eu entendo que é uma obra feita pra um público alvo específico que não sou eu. Talvez nem seja pra minha faixa etária. Por isso conversa tão pouco comigo que não sou estudante, nem britânica, ou americana. Meus horizontes são outros. Não que precise de tudo isso pra eu gostar de algo do mesmo estilo. Mas relevemos. É uma produção gostosinha de assistir e nem de longe a melhor que eu já tenha visto.
Mas também, eu sei meu gosto pessoal, eu gosto de história triste, sobre gente queer que sofre, não porque essa seja o nosso lugar, mas porque é a vida normal. Dias bons chegam e problemas acontecem. Também gosto de coisa bem romanticazinha e portanto fantasiosa (porque enfim, a realidade não me permite viver livre como uma gay feliz, seja na legislação ou na cultura que impede qualquer tentativa de viver um romance). Dito isso, não sei que tipo de produções LGBT são essas que a galera anda consumindo que só é triste. Ou que mar de rosas é esse que as pessoas esperam de obras LGBT quando buscam por representatividade. Falou em representatividade, já cagou. Vai ser triste. Vai ter temas pesados. Se vc quer representatividade, não dá pra ser feliz porque a vida do gay é dificil. É aqui onde eu entro em conflito com as produções e quem consome elas, no final ninguém sabe o que quer e fica frescando. "Ah mais sempre vai ter gente reclamando, nunca uma coisa vai agradar todo mundo", sim... eu por exemplo 🤡.
Pra falar a verdade, eu nunca busco por representatividade quando assisto produções LGBT+. Acho isso muito pretencioso e disperso. O que não significa que não seja necessário, importante e essencial que se faça produções com elenco e bastidores repleto de gays. Mas são muitos fatores que me afastam de produções que "buscam ser representativas".
Eu já não sou uma ávida consumidora de produções LGBT+ ocidentais, vamos dizer assim (pelo menos não motivada pela temática, em si). E não consumo por problemas pessoais com as noções tortas de representatividade que norte-americanos tem e acabam sendo importadas pra cá também. Então, não sei dizer se nos últimos anos tiveram mais produções de filmes ou se elas estão mais concentradas em série, como parece. Até sei vários nomes que despontaram desde o Oscar pra Moonlight (2016), mas nada nunca me moveu pra assistir de fato (até mês passado k).
Em compensação, Adeus minha concubina (1993), The Handmaiden (2016), Entre a Lei e o Salto Alto (2014), The Blue Hour (2015), Malila: a flor do adeus (2017), Love Siam (2007), Dew (2019), Mal dos trópicos (2004), Ossan's Love (2016), Happy Together (1997), Dear Ex (2018), Badhaai do: casamento por conveniência (2022) e milhares de outras produções asiáticas estão todas gabaritadas na minha lista, assistidas em épocas diferentes da minha vida e por milhões de outros motivos além do subtexto LGBT+ presente nelas.
Muitos enredos estão além da descoberta da sexualidade dos personagem, pois existem milhares de coisas piores acontecendo na vida deles, ou melhores. Eu gosto desse tipo de enredo, que mostra que existe vida além da sexualidade ou de qualquer que seja a forma que a sexualidade se manifesta e ao mesmo tempo, existe amor, existe família, existe dor, drama, perigo, amizade, traição, trambicagem, existe um mundo de coisas. Ainda que a questão da sexualidade esteja sempre presente e as vezes seja um empecilho na história, eu sinto que produções orientais conseguem converter isso melhor do que as produções ocidentais, com uma variedade de narrativas e produções (seja filme, série, terror, comédia, ação...). Mas isso é porque eu conheço várias e, talvez, pra quem conhece mais de cinema LGBT+ ocidental, não concorde e invalide tudo o que eu já falei.
E eu entendo que reclamam por mais produções LGBT+ e que isso leve a aclamação de produções meia boca ao longo do caminho (vide Call Me By Your Name) , mas estamos falando de repertório, no sentido mais simples e menos erudito de capital cultural. Então, pra quem conhece pouca coisa, tudo parece inovador mesmo (eu e esse blog somos a prova disso, primeiro eu faço um evento em cima de algo pra depois descobrir que só eu não sabia daquilo).
Minha descoberta de um novo mundo gay
Em 2020 eu conheci os BLs tailandeses, em produção e em alcunha: boys love. Com obras protagonizando o relacionamento entre dois meninos, muitas vezes baseado em novels ou mangás escritos historicamente por mulheres (responsáveis por tudo o que presta na história da humanidade), direcionado para o público feminino, estendendo-se para o público queer que eventualmente se agrada e se identifica com as boiolices.
Foi aqui onde eu me achei, com produções que vão do pastelão, ao pornô sem enredo, até os fofos e escolares que te dão uma rasteira no drama e te fazem chorar. Tem também os romance com fantasmas, reencarnações e zumbi, porque quem tem limite é município. Tudo graças ao caráter de fanfic que os BLs carregam, permitindo todo tipo de absurdo. E viva a putaria/ criatividade!
Podem parecer enredos reduzidos, por contarem sempre uma história de homens se apaixonando, por isso, acaba não passando no crivo da representatividade de muitas pessoas, mas é por isso que o termo usado pra essas produções é um recorte não tão abrangente como LGBT+ e, mesmo assim, não deixa de abordar outros nuances que, as vezes, não são contemplados pelas grandes produções com todas as siglas.
São produções da Tailândia, China, Japão, Vietnã, Filipinas, Taiwan, Indonésia e por ai vai. Foi nesses lugares que eu achei, o que eu considero representação queer, que me interessou por concentrar-se no desenvolvimento de um relacionamento e no amadurecimento dos envolvidos na relação, em diferentes idades, contextos e as vezes com a presença da família na trama, desde a forma mais preconceituosa à mais compreensiva. Produções advindas dos países considerados mais conservadores, mas com narrativas bem mais diversificadas que, mesmo sendo dentro de um nicho, mostram as milhares de possibilidades de se retratar um relacionamento gay, do mais realista ao mais absurdo.
Eu venho acompanhando que a cada ano, mais e mais produções surgem e sustentam todo um braço da economia na televisão e nos canais de streaming, principalmente na Tailândia e mais recentemente na Coreia do Sul. Esse ano (2023), minhas expectativa vão ser as duas produções grandes de Girls Love tailandeses que vão começar a testar audiência, na tentativa de investir em mais produções do nicho para televisão local. Afinal, tudo continua sendo capitalismo e que bom que está sendo usado para produzir entretenimento queer.
Além das séries, eu passei a ler mangá que existem desde sempre com produções nesses temas, atualizando-se e expandindo a cada ano, retratando todas as siglas da comunidade desde a forma mais polida até a mais complexa e tóxica (o que eu não acho problemático e vai vira outro texto). Então, quando eu vejo algo que é menos do que eu consumo ou já consumi, só passa despercebido mesmo, porque eu sei onde consumir coisas melhores e do meu agrado. Por isso meu desagrado com Heartstopper e principalmente Call Me By Your Name.
Com isso, eu me pergunto: quer dizer que o sucesso de algo, diz respeito ao tipo de conteúdo que o público alvo anda consumindo, mais do que a qualidade da produção em si?
E assim, eu soo como uma velha blasé que se acha melhor que todos. Beijos.




Bom, eu não sei exatamente o que e como comentar um post tão completo, diferente de você não sei me organizar em argumento 🧐 mas eu revirei algumas coisas na minha cabeça e decidi ir direto ao ponto crucial. Sobre heartstopper, call My name pipipopo… é de fato muito estranho a maneira como meu coração e cérebro receberam a vontade e ao mesmo tempo desvantagem de assisti-los (talvez dado ao fato de ter uma imensa “desvontade” de assistir algo que nunca havia visto antes), mas eu, quando mais jovem (ala a velha k) procurava o genérico. Sabe? É comum no yaoi de anime e mangas as obras serem feita pra um público “Feminino” (??) para suprir seu feitiche de ver dois macho se comendo desculpe as palavras mas é isso aí. E eu peguei essa parte da minha adolescência. Hoje pra mim é um tanto faz muito grande. Produtoras como a Netflix não é de hoje que acertam e erram com uma frequência muito grande, é 8 ou 80. Geralmente para realmente entregar algo interessante quanto pra dar aquela lavada de dinheiro. Com base nisso eu sempre vi muitas obras “lgbt” voltado pro hype ou a venda. No final o que importa seria um bom e velho público. Eu vejo isso com base na minha mãe, como uma lésbica de quase 50 anos ela DETESTA filmes lgbt onde o casal não termina junto. Foi assim com “azul é a cor mais quente” em suas palavras são duas jovens muito novas e imaturas com final infeliz e sem sal. Filmes como “você nem imagina” onde a mocinha n termina com a outra e o mocinho tbm não. Ela detesta isso, e acho q no caso dela é a procura dessa “representação de algo que não foi o seu final feliz” (ela ama Elena undone e sim o GL tailandês yes or no). Inclusive precisamos falar sobre a recepção ou/e hype de filmes gays e lésbicos.
ResponderExcluirComo você disse chega um momento da vida da pessoa que ela quer apenas uma história.
Eu recentemente maratonei good omens, a gente tem anjo e demônio que aparentemente é das gays mas fica subtendido ao fato de que esses seres nem gênero tem. E os fãs gostam disso. Muitos filmes parecem ser feito pra uma parte do público jovem que aceita a complexidade da, principalmente, adolescência. Quem tá velho já tá cansado e quer só o básico da história. Eu me enrolo muito pra explicar as coisas, inacreditável.
Call me by ur name (que é muito grande esse nome tinha que ser menor) é um filme sei lá… “quer ver um cara gostoso velho pegar um novinho sem tempero? Pois tome. Não acabam juntos mas o muleque tem um pêssego pra isso”. Ou seja parece ser feito para pessoas que querem ver algo fazendo algo, como a storytelling se alinha aí já é questão dos roteiristas e produtores. Mas de fato a culpa parece decair muito ao público e como ele faz parecer algo que no geral está longe de ser.
A parte crucial disso tbm pode ser um etarismo, pra eles é apreciável ver duas velhas se beijando? Dois gordos? Pessoas fora do padrão? Se for pensar demais a cabeça dói.
ExcluirAh Gosto de “Eu Não Quero Voltar Sozinho” principalmente o curta q só tem 17 minutos. É fofo, é suave, e cara, devo dizer que curta metragens não boas nisso kkkkkkk
No quesito cinema geral eu acho q o YouTube Gaveta uma vez disse que essa de que um roteiro precisa ser absurdo de complexo e que o telespectador precisa “abrir a mente pra assistir” é conversa de quem não confia no público. As vezes eu quero apenas assistir, não quero passar por uma prova no enem. Sim muito legal quando o roteiro mexe com você intelectualmente mas você precisa tá disposto a isso. O simples é bom.
Com base no que o “público” quer ver, vi uma pessoa falar (talvez no Twitter ou reddit) que não gosta e não queria que mais obras héteros fossem produzidos, pois héteros não tem uma história ‘dolorosa’ pra contar. Diferente da comunidade lgbt+. CARA SE FOR ENTÃO PRA FAZER FILME SOFRIDO NÃO QUERO NÃO. Eu não entendo exatamente o ponto que ela quis chegar mas me fez pensar nisso, as pessoas querem filmes para ver uma história diferente da realidade sua? Ou.. Não sei, acho que não gostaria de ver um filme da minha mãe, prefiro sobre anjos e demônios gays. — sobre queerbaiting, tentam por culpa em quem faz? Ou em quem divulga? Pra mim até então, castiel e dean de supernatural foi um surto coletivo de fãs e não de quem tava roteirizando o babado.
Sobre good omens, a segunda temporada foi um perfeito fanservice, mas eu gostei. O desgracado do Neil tinha uma conta no tumblr para ler fanfics e ver fanarts. Se isso é entregar o que o público quer, eu não sei.
Conclusão de todo meu comentário bagunçado de dois metro: é por isso que eu só assisto coisa que já assisti, daí n me decepcionou
Eu nunca assisti "eu não quero voltar sozinho" acho que vou dar uma olhada no curta. Sim, as vezes a gente só quer assistir e não pensar muito, nem todo filme precisa ser um grande desafio intelectual ou uma obra de arte. Também prefiro história de anjos e demonios gays kkkkk, apesar de amar um slice of life/ coming of age da vida.
ExcluirResumindo: heartstopper não vai salvar o mundo. E nem precisa. (E ainda bem que não precisa senão coitado do mundo.) Nossa eu amei esse texto, uma retrospectivazona.
ResponderExcluirA grande questão de heartstopper é a plataforma, tanto literalmente (a Netflix) quando a base de público geral que a série alcançou, e aí acabou virando esse marco assim como Barbie inventando o feminismo e a Taylor swift sendo a primeira e única compositora da história. Não tem pra onde correr, por mais que a informação na internet seja "livre" as coisas ainda são muito fragmentadas, ainda mais quando viralizam ou são feitas pra viralizar, que precisam ser simplificadas ao máximo.
Um outro ponto é que acho que a série é gay, mas não necessariamente queer. O que me fez perceber foi tua descrição das coisas que tu gosta, que são as que eu gosto tbm. Se é possível ou não existir essa divisão e a que custo, fica aí o debate
A ideia é alcançar a massa, então quanto mais simplificado e sensacionalista for, melhor pra chamar atenção. Ai depois disso vira um "fale mal, fale bem, mas fale de mim". Ai junta as entrevistas e depoimentos que saem envolvendo a produção e com elas as polêmicas... Enfim... Como você disse, Heartstopper não vai salvar o mundo.
ExcluirEu nunca assisti/li Heartstopper e também nunca tive vontade, mas, quando eu era mais nova, consumi muitas mídias gays, então penso que se eu ainda fosse adolescente, eu super amaria Heartstopper e acharia o ápice da representatividade. As poucas coisas que sei sobre a série foram contra a minha vontade, mas achei todos os tópicos de uma grande perda de tempo (por exemplo, a autora e os fãs pregando um discurso anti-sexo e as críticas levantando debates sobre a problemática de não ter sexo na série/quadrinhos). Mas, apesar de eu saber que não sou o público alvo e de ter alguns pré-conceitos com a série, acho importante ela estar atingindo quem ela deveria atingir (e talvez até outras pessoas fora desse público alvo, que não é o meu caso).
ResponderExcluirSobre Call Me by Your Name, eu assisti quando adolescente e gostei kkkkkk De verdade, não sei dizer exatamente o pq, mas, pensando sobre hoje em dia, chuto que talvez foi pela estética do filme, pelo final angst (que eu sempre amei) e pelo Timothée (que eu gostava na época). Sei que a qualidade do filme é considerada duvidosa por muita gente, por isso eu tenho muita vontade de ler o livro, porque acredito fortemente que às vezes uma história funciona melhor num tipo de mídia do que em outra. Talvez a história de Call Me by Your Name funcione melhor na forma escrita do que no audiovisual. Mas eu posso estar errada também.
Eu gosto de histórias LGBT+ dramáticas, sofredoras, sem um dia de paz, mas entendo quem quer uma coisa mais fantasiosa e feliz, sem problemas, mundo cor-de-rosa. Imagino que talvez essas pessoas possam querer assistir um romance LGBT+ com a certeza de que no final vai dar tudo certo. E tá tudo bem.
Concordo com vc que as pessoas têm que admitir que mídias feitas por/pra minorias não necessariamente são excelentes. Eu adorei o filme Bottoms, achei divertido, mas ele não é revolucionário (no quesito roteiro) e tá longe de ser o melhor filme já feito na história do cinema, e eu consigo entender isso mesmo me considerando o público alvo dele. Teve uma época que eu li muitos livros GL e me deparei com muita coisa duvidosa também. Mas parece que fazer críticas sobre coisas que envolvem o tema LGBT+ (ou qualquer outra minoria) é a mesma coisa que vc atacar diretamente a existência dessas pessoas no mundo. As pessoas precisam aprender a separar.
Abraços, nanaview ⭐
A parte de criticar as produções lgbt acabam tomando uma outra proporção mesmo e ai a resposta a essas criticas vira cancelamento das produções e munição para não produzir mais com a desculpa de que gera muito hate e polêmica. Ai por outro lado fica gente dizendo que não pode criticar de jeito nenhum e aceitar qualquer bosta de desovam com nome de lgbt... Complicado, é preciso separar sim.
ExcluirNo quesito produções leves, as produções asiáticas saem na frente, na variedade e frequência. Todo mês sai coisa nova. Só jogar no mydramalist pra achar os títulos e as informações.
Eu sou muito novata nas leituras de BL, já assisti alguns filmes ocidentais com a tal representatividade LBGTQIAPN+ e realmente se faz necessário pensar sobre essas representatividades e a necessidade de uma "moral da história" Dos filmes que você citou eu só assisti Moonlight e lembro de ter gostado muito, principalmente da fotografia do filme. Sobre as leituras, tô cadelinha de quadrinhos asiáticos, sempre li mangá, mas as produções sul-coreanas e chinesas começaram a ocupar um espaço. Ainda não li BL e inclusive aceito recomendações.
ResponderExcluirGarota do 330
Eu também amo ler quadrinhos asiáticos, a maioria que eu leio são BLS. Perdão por estar respondendo só agora, mas vou te recomendar alguns bls que eu li recentemente e gostei muito. Não sei se dá de achar eles em portugues, porque eu sempre leio em inglês. Mas alguns ja tem tradução PT oficial e são comercializados na amazon. Alguns tem cenas explicitas, mas não deixam de ser fofos e engraçados.
ExcluirKiller Crush
Love so Pure
Punch Drunk Love
Se eu achar outros legais, eu vou indicar também. É que a maioria que eu leio são japoneses e eles são todos de procedência duvidosa, então prefiro não indicar
Oi Lana, sobre produções LGBTQIA+ ocidentais, acho que assisti nem meia dúzia e não me animou. E você sabe que eu assisto/consumo mais os japoneses, porque - pelo menos do meu ponto de vista - não levantam bandeiras e representatividade bem subliminar. Acho que eu mencionei alguns no meu blog. Um que traz uma representatividade bem subliminar seria Cherry Maho (mais o filme), em que um deles se acidenta e o único contato era seu parceiro, mas o hospital não permitia a visita de pessoas a não ser a família do paciente. Num ponto o filme quer mostrar que mesmo sendo parceiros, eles não têm direito algum (aqui, até união estável como o meu, por exemplo, não tenho como ser dependente do namorido e nem eu posso incluir ele na hora de declarar imposto, pra ter uma idéia).
ResponderExcluirHeartstopper eu acompanhava a webcomic pelo tumblr oficial, mas nem passou pela minha cabeça assistir a versão seriada na Netflix, mesmo porque eu tenho uma tonelada de doramas e filmes japoneses para assistir, e devido a uma recente mudança que tive, nem tive tempo para isso. Mas para mim é uma história pra ler sem pensar muito, sem ligar se representa algo ou tem moral da história (se bem que um ponto a ser observado seria o transtorno alimentar de Charlie, algo difícil de ser comentado).
Sobre BLs japoneses (que eu consumo), têm para tudo o que é público, e foi-se o tempo que eram somente senhoras solitárias que consumiam. Tanto que existem diversos temas, desde os fofos sem sexo, dilemas de adolescencia, drama (no sentido literal da palavra), tragédia, relacionamento tóxico, omegaverse, etc. Na verdade, tem que ler alguns pra ver qual estilo se encaixa para si. Mesma coisa filmes e séries BL.
Vai do gosto da pessoa mesmo, porque o que pode ser bom pra você, posso não gostar e por aí vai.