Em agosto, o tema do cineclube foi filmes indianos. Pra minha própria surpresa, nenhum dos filmes são típicos bollywoodianos com dança, música e opulência. Na verdade, são tramas que poderiam ser produções americanas, mas são produzidas e protagonizadas por indianos. E eu achei fascinante perceber isso, mesmo gostando muito das produções musicais indianas.
Começando com Monkey Man (2024), dirigido e protagonizado por Dev Patel, é, a grosso modo, um John Wick indiano, só que muito melhor, na minha opinião. É um filme de ação, então o foco são as cenas de luta que são muuuuuito bem feitas e bonitas. Os jogos de câmera são ótimos. Eu adorei esse filme, pq ele é simplesmente um filme de ação nos padrões de hollywood só que com um protagonista indiano. Cada etnia merece um filme de herói desses. Algumas coisas não me convenceram muito, mas servem o propósito do gênero do filme, então eu achei ele bom.
The White Tiger (2021) conta a história de um anti-herói, talvez. Numa narração de e-mail que é mais uma propaganda do próprio negócio, o protagonista conta sua história de como ele virou um empreendedor, basicamente. Só que é uma sacada genial e irônica contra o neoliberalismo, ou contra o capitalismo, ou contra a classe dos patrões feita por alguém que consegue chegar lá, porém por vias tortas. Porque pro pobre, o trabalho é dobrado e o caminho torto é o caminho que sobra pra ele. Só que é tudo muito irônico no filme e por vezes parece um Boys Love hilário.
O terceiro foi Sonhando ao Meio-dia (2022), um filme Tamil-Malaio que mais parece uma peça de teatro, com cenas bem abertas e paradas, narrando o delírio ou sonho de um personagem que acorda e assume a vida de uma outra pessoa num vilarejo no meio do mato, falando uma língua nova e morando com pessoas que não o conhecem. Eu não sei explicar o quanto eu amo esse filme. Ele é uma longa construção até o final, que deixa um enigma, uma pulga atrás da orelha se tudo o que aconteceu foi um sonho mesmo ou o que foi. Eu amo essa sacada.
No quarto filme que fecharia esse mês do cineclube, eu não pude assistir, mas é um filme maravilhoso chamado Bulbul (2020), disponível na netflix.
Continuando o mês de agosto, eu assisti em casa Millennium Mambo (2000). Esse filme deixou o tempo todo uma sensação que eu não sei explicar. Eu não me prendi muito na história, que era contada pela protagonista no passado e logo em seguida acontecia o que ela falava. Muitas coisas fora de ordem, outras sem propósito aparente, por vezes me lembrou As vantagens de ser invisível, mas só a sensação mesmo de nostalgia e solidão. Depois eu fui pesquisar sobre o filme e descobri que ele faz parte do cinema de fluxo, do qual muitas produção do inicio dos anos 2000 estão inclusas, que tem como característica o fluxo de imagens e a sensação, mais do que a narrativa e cronologia dos acontecimentos.
A mãe fez uma lista enorme de filmes pra eu assistir na netflix e na prime. No ultimo dia do mês, eu tentei assistir o máximo de filme na netflix que eu conseguisse, mas acabei só vendo dois. O primeiro foi O Talentoso Ripley (1999). Eu não sabia que já existia um Saltburn antes de Saltburn. Logo de inicio, eu ja sabia do fim por presumir que seguiria a mesma linha de Saltburn, eu só não esperava pelo mesmo subtexto gay tbm. Adorei o filme, me choquei com a quantidade de ator conhecido reunido aqui em inicio de carreira. Quando terminou, eu queria que continuasse e me contasse mais, o que iria acontecer depois. Achei o final dolorido, não queria que tivesse acontecido daquela forma. Quatro estrelas.
A partir daqui eu comecei a dar nota pros filmes no meu letterbox, coisa que nunca fiz, por não saber como avaliar.
O segundo, foi a noite, chamado Camaleões (2023), um filme de suspense policial e imobiliário. Na minha cabeça ja existe o terror imobiliário, por isso achei relevante citar aqui como um gênero de filme do suspense tbm. É uma bagunça no começo pra entender o ritmo do filme pq ele passa a impressão de começar pelo meio, mas é por que ele tem muitos cortes abruptos de cena e muita informação escondida que vai se revelando com o tempo. Mas eu achei o filme amador de início. Principalmente por causa dos enquadramentos de câmera denunciando personagens como suspeitos sem antes mesmo apresentar eles. Mas no fim tudo se encaixou ou eu me acostumei com a linguagem do filme e ficou tudo bem. É uma trama clássica de incompetência policial, e faz questão de frustrar as expectativas por uma solução do caso investigado, reforçando a incompetência policial. Mas o desenvolvimento é cheio de altos e baixos, até chegar no fim. Quando eu achei que tava terminando, ainda faltava 45min pra acabar. Eu terminei gostando do filme, apesar dos pesares, talvez umas três estrelas seja suficiente pra me expressar.
Setembro
Comecei o mês com Ella & John (2017). É um road movie. Tem cenas e humor bem duvidoso em certos momentos, como quando o personagem com alzeimer mija no acento do carona ou quando o casal tenta transar logo após a personagem ter sido internada de um desmaio. Não é um bom filme pra quem convive com esse tipo de doença, porque é sem profundidade e as vezes sem delicadeza. Eu fiquei triste de ver que o filho mais preocupado era o filho que menos recebia retorno de como os pais estavam durante a viagem. Triste, porque de fato isso acontece. Enquanto a filha que menos tinha tempo era com quem eles falavam mais tranquilamente pelo telefone. Ao mesmo tempo eu gostei de como a esposa trata o marido com alzheimer, com frustração e cansaço, não só com carinho e compreensão. Chorei com o final, porque me pega muito o assunto da velhice, mas o filme não passa essa emoção toda. Se vc quiser relevar, pode ser um ótimo filme de sessão da tarde, mas se não quiser pode ser um filme de péssimo gosto. Por isso eu daria duas estrelas.
Como eu tava no clima de filmes com velho, resolvi assistir no mesmo dia Meu Pai (2020). É um drama pra chorar. Mas pense num filme bom. Ele é de destruir você. Voce pode chorar ate nao sobrar uma gota ou pode fazer como eu, rir de desespero do tanto que me identifiquei com as cenas. O filme é perfeito. Queria eu que tivesse asilo de idoso em todo lugar com capacidade pra receber todo mundo que precisa receber. Não é minha realidade, o que torna o filme um terror maior pra mim.
Por último, postaram All about Lily Chou Chou (2001) no youtube completo e eu aproveitei pra assistir. Pelo ano, eu vou considerar como cinema de fluxo tbm. Ele não tem bem uma linha cronológica apesar de ter um tema em torno da cantora ou banda Lily Chou Chou. É mais sobre adolescência. O foco não é narrativo, é so um fluxo de cenas que deixam um sentimento de solidão e juventude. Por vezes parecem arquivos achados de uma viagem de um grupo de jovens aleatório e por vezes parece um diário documentado. É triste e cru e eu gosto de como filmes japoneses sempre sabem fazer ótimos filmes escolares e como eles sabem abordar temas pesados (suicídio, estupro, bullying...), tal como são, pesados.
Animes
De anime, eu descobri que Kageki Shoujo não é o mesmo que Shoujo Kageki Revue Starlight.... Mesmo os dois sendo inspirados no Takarazuka igualmente. A graça é que eu achei Kageki Shoujo no Crunchroll e comecei a assistir achando que era o mesmo anime que eu nao tinha terminado de ver anos atras, que na verdade é o Revue Starlight, um anime musical sobre uma trupe de teatro só de meninas... Inspirado no Takarazuka Revue que é uma trupe de teatro só de mulheres, muito famosa do Japão.
Então, é compreensível meu erro. Por isso eu tava achando tao estranho nao ter começado nenhuma musica até então. Aparentemente, Kageki Shoujo nao é um musical e conta a história de uma ex-idol que entrou na academia de formação de atrizes para o teatro Kouka só para meninas. A protagonista passa por experiencias traumaticas e desenvolve medo e odio por homens, então ve nessa troupe de teatro um lugar para se sentir segura, uma vez que não só a troupe é so para meninas, mas o público alvo tbm é feminino, diferente da vida de idol.
Dessa vez, eu to assistindo só um anime por vez, apesar de ter começado vários ao mesmo tempo.




Não posso opinar sobre filmes que não assisti, mas conheço o formato "de fluxo" e são filmes que me deram sensação de pura e simples perda de tempo. É a mesma sensação que eu sinto quando percebo que estou olhando feeds e videozinhos no Instagram por mais tempo que deveria e a fazer isso perde o sentido. Então chega uma hora do filme que as cenas já não fazem sentido, são só imagens soltas tal qual um algoritmo perdido de rede social. Não sei se tu curtiu esse estilo, mas filmes assim são muito desconfortáveis pra mim.
ResponderExcluirAnimes no Crunchy: dei uma parada pra esperar as temporadas novas dos que assisti, mas quero dar chance pra alguns. No HBO Max estou assistindo a Uzumaki, produzido por Adult Swim (beeeem melhor do que aquela porcaria de Collections do Crunchy)
Filme de fluxo dão essa sensação mesmo de feito nas coxa, mas eu gostei, vai que é porque eu tava na vibe, tava com tempo pra gastar kkkkkkk Não é o que eu procuro num filme, mas toda vez que eu ver, vou entender, porque pesquisei sobre. Se não, talvez me incomodasse.
ExcluirSerio que uzumaki ta bom? Eu vi tanta critica sobre a animação depois do primeiro episódio... Junji Ito é complicado de animar se não quiser investir dinheiro em boa animação
Também sou apaixonada por filmes de Bollywood, mas a maioria esmagadora que eu vejo são históricos com várias danças. Bulbul está na minha lista, mas não faço ideia de quando vou assistir xD
ResponderExcluirNão conheço os animes que você mencionou, lendo essa publicação fiquei com saudades de assistir algo. Tenho focado nos estudos e esquecido de tirar um tempo para coisas divertidas.
Garota do 330
Na época que eu tava assistindo anime, tirava 30 minutos por dia pra ver um episódio ou então 1h pra ver o quanto desse. É como se tivesse parando pra ver um filme, um tempinho de descanso entre os afazeres todo dia, dá pra avançar legal.
ExcluirAdorei as sinopses dos filmes indianos, nunca dei chance pra filmes assim por cair na ignorância de que eles eram todos iguais, mas já adicionei os que mais me chamaram a atenção na minha lista e com certeza vou assistir.
ResponderExcluirAbraços, nanaview ⭐
Eu nunca me decepcionei com nenhum filme indiano que assisti até agora, o que é bem impressionante, parando pra pensar agora. Tem bastante na netflix, da pra começar por lá e ir vendo se te agrada. Tem um muito bom de investigação meio garota exemplar chamado Beleza Avassaladora, pode não ser muito revolucionário, mas eu gostei bastante
ExcluirViva o cinema indiano, paz. Sobre cinema de fluxo, eu já tinha visto o termo mas lendo o que tu escreveu sobre Lily chou chou eu lembrei do MV de Ditto que foi muito inspirado em filmes japoneses dessa época e tem os mesmos temas. Os filmes parecem ser uma coisa mais lírica e visual mesmo
ResponderExcluirSimmmm o mv de Ditto que é toda na estética escolar japonesa. É exatamente aquilo ali mesmo. Tem muitos cineastas asiáticos relacionados a esse estilo, aliás.
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