Grandes chances de eu parecer um homem ou uma criança de 5 anos, com esse relato. Mas eu só sou uma pessoa disfuncional e é isso que eu, um homem e uma criança de 5 anos temos em comum 😀. Isto é um relato de superação e não uma reclamação sobre a vida.
Estou aprendendo a ser uma pessoa, no alto dos meus 28 anos e esses são os mecanismos que estou usando para ter sucesso e os aprendizados até o momento:
- Mecanismo #1: Deixando objetos relacionados a tarefas, pelo meio da casa ou fora do lugar
Toda tarefa a fazer, subentende pelo menos 5 passos para concluí-la e por mais que pareça, não são passos intuitivos (pra mim). Por exemplo, para colocar o lixo pra fora de casa, eu tenho que: recolher os sacos de lixo de cada lixeiro da casa, colocar um novo saco de lixo onde foi retirado, reunir os lixos em um saco só e só então, colocar pra fora. Não listei, mas percebe-se que não é só pegar um lixo e botar na calçada (considerando que minha realidade não inclui coleta seletiva).
Para conseguir concluir tudo com sucesso, preciso deixar uns sacos de lixo pelo chão da casa (um lugar não convencional), para lembrar de colocar os sacos limpos nas lixeiras após a retirada do lixo sujo, por exemplo. Senão, meu cerebro vai interpretar o lixo na calçada, como tarefa concluída (enquanto ainda falta recolocar os sacos limpos nos lixeiros). Independente da ordem em que as coisas são feitas, elas são esquecidas no meio do caminho por falta de foco e meias interpretações cerebrais do meu tdah.
Então, eu preciso deixar uma falha no meio do caminho, que vai me fazer estranhar aquilo, ao ponto de eu conseguir lembrar ao que se refere.
Essa semana eu tinha duas coisas pra lavar no quintal/ lavanderia: uma cadeira e uma caixa de plástico. Pedi pra mãe colocar a caixa no meio da porta por onde eu passo, pra quando eu terminasse de lavar a cadeira achando que tinha acabado, eu passasse pela porta e visse que ainda faltava um item. Mas a mãe não entendeu minha lógica e colocou a caixa em cima do tanquinho (fora do meu campo de visão, porém mais próximo da pia onde eu estava). Terminei a cadeira, virei as costas pro tanquinho e fui embora... Um tempo depois eu lembrei da caixa e lavei, mas não vem ao caso. Então, o que funciona pra mim é deixar pelo meio do caminho, atrapalhando meu trânsito, para ser percebido e resolvido.
Como a decisão de lavar tais objetos foi imediata, não passou pelo crivo de uma lista de afazeres, pois não era necessário. Penso que, as vezes cabe ir pra lista e as vezes não precisa. Mas no fim das contas, sempre precisa.
- Aprendizado: Não preciso fazer as coisas correndo
Posso não ser a mais eficiente ou mais rápida, mas trabalho bom é trabalho feito. E eu tenho ansiedade generalizada, então tudo o que eu puder fazer o mais lentamente possível, melhor pra mim 🙏 (salvo situações excepcionais que exijam pressa). Então eu vou:
- acordar mais cedo para tomar café da manhã com calma, aquecer a voz e me preparar para a socialização, mesmo que esse cedo seja 5h da manhã.
- separar um a dois momentos na semana (nunca do fim de semana), para me preparar para a próxima semana, ou para o próximo mês, ou para o trimestre...
- Esperar alguns minutos para me regular, entre o trabalho e minha casa, para não chegar em casa acelerada no ritmo do trabalho. Ou mesmo me regular em casa, falando mais baixo, andando mais devagar, fazendo as coisas mais lentamente de propósito, para me regular, poupar energia e não gerar estresse em casa por causa de conflito de ritmos.
- Descansar entre uma tarefa ou outra, pelo menos 5min... o que nos leva ao próximo mecanismo.
- Mecanismo #2: Pomodoro no laptop
Não importa quantos minutos cada tarefa vai levar, o importante pra mim são as pausas entre elas. Pois eu me perco facilmente em momentos de hiperfoco que me atrapalham muito, porque eu esqueço de comer, de ir ao banheiro, de respirar direito, de piscar direito, de ajustar a postura, não percebo que estou sentindo dor, não percebo que as horas passam, fico horas em uma tarefa só quando eu precisava fazer várias outras tarefas... Enfim, os prejuizos são vários. Então eu programo um timer para me despertar do meu hiperfoco e me chamar para a realidade. No intervalo, eu tento me situar que horas são? como ta o progresso no que estou fazendo? o que falta fazer? Estou com fome, sede, sono, bexiga cheia? Levantou e dou uma caminhada ou me deito e fecho os olhos. Quando toca o timer para o fim do intervalo, eu volto para o fluxo de trabalho.
Isso tem feito maravilhas na minha vida, uso sempre que estou no laptop. As vezes uso no celular tbm, para algumas tarefas domésticas ou que envolva deslocamentos entre diferentes espaços.
Lembrando que hiperfoco não é um interesse pessoal sobre algum assunto, mas um estado de mente, um estado de foco, que bloqueia sua percepção de realidade e de tempo por um longo período de tempo, e que acontece involuntariamente (podendo acontecer várias vezes no dia).
Veja que não usei as palavras rotina ou hábito durante todo o texto, porque acho essas palavras intimidadoras e ineficazes pra mim. Mecanismos e aprendizados é bem mais legal.

Pra mim passa tempo, vem novo tempo, tenho muito a descobrir pra mim aprender. A única que não uso é pomodoro, mal consigo estudar colocando minutos então, me deixa mais nervosa.
ResponderExcluirLena Jack Black.
o mecanismo para hiperfoco eu achei sensacional. sinto que perder essa noção do tempo me atrapalha muito inclusive no trabalho. e como sempre deixei fluir porque listas me deixavam aflita (meio que parece entrar no campo da obrigação e automaticamente vou prorrogar/ignorar o máximo possível, socorro), fico presa tempo demais no e-mail (fluxo alto de recebimentos para processar) em vez de estruturar melhor o tempo pra atender melhor as demandas durante o dia. MEUDEUS COMO NUNCA PENSEI NISSO. obrigada lana! HAHAHAH
ResponderExcluirdava "certo" até agora porque tô há anos fazendo hora extra e veio aí o querido burnout. preciso melhorar isso pra ontem antes que o corpo oficialize um "se tu não parar, eu paro".