Se a Vitória Régia fosse uma lenda LGBT no Vietnã

Nessa saga de retrospectiva do que eu gosto e consumo, voltei a um clipe que me impacta toda vez que assisto. É uma produção vietinamita, que primeiro te assusta em qualidade, e depois em narrativa. Parece o trailer de um filme. Vamos dizer que se a lenda brasileira da Vitoria Régia fosse lgbt, ela seria a história desse clipe. Inclusive, tenho minhas suspeitas de que essa seja a versão original kiah.

Meu sonho alguém fazer essa fanfic ambientada no Brasil, seria riquíssimo! Mas vamos para o clipe, conta a história de um rei que se apaixona por uma criatura encantada, mal sabendo que seus destinos já haviam se cruzado antes, dessa vez, tal criatura seria motivo da ruína do próprio rei.  

Gente pelo amor de deus, eu choro toda vez de tão bom! O cantor tem outras músicas e clipes que seguem a mesma genialidade de roteiro, muito vodoo, muita rincha romântica lgbt, muita reencarnação, muito plot twist, uma pitada de gore, dor e sofrimento com o mesmo cast, inclusive. Ai ele achou pouco o tamanho da desgraça e fez uma continuação da história num segundo clipe.

O clipe traz uma belíssima cerimônia de casamento entre o rei e o amado... morto. Ele tenta repetir o ritual para ressuscitar o amado e não dá certo. É como diz o ditado popular "Inês é morta". Mesmo assim temos todo um ritual fúnebre de casamento + dubstep, pra que melhor? O plot twist é que não acaba quando termina, já dizia Sandy. Amo uma galera mórbida apaixonada. 

Uma constante que eu percebo em produções asiáticas é o tema da reencarnação e do destino e, portanto, a morte. Sempre no tom de tragédia, que envolve todas as calamidades. Parece bastante folclórico as explicações para os acontecimentos e por isso me agrada tanto. As coisas mais sem pé nem cabeça, passam a fazer lógica dentro do universo. Diferente do zumbi/ morto-vivo causado por infecção viral como nas produções sci-fi, os asiáticos trazem pro espiritual e religioso, ainda que envolva ciência, está sempre envolta em um ritual, maldição ou karma. Pessoalmente, as explicações para as coisas sobrenaturais me parecem mais coerentes quando relacionadas a cultura popular do que a ciência. 

Quanto ao aspecto lgbt no MV e o Vietnã, eu não moro no país nem entendo a língua, não sei o real impacto e apoio disso no país, apesar de saber que tem bastante público interessando e bastante produção, independente de censura ou opressão. 



Não satisfeito, recentemente o cantor publicou no Youtube uma versão com banda da primeira música, e no instrumental tem um saxofone. Quer me destruir, é botar um saxofone numa música. Ficou a coisa mais maravilhosa e dolorida. E com essa, eu me despeço. 


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