Can I ruin you? (undergrOund idOl part. 2)

queria tá como?

Quase na véspera de sair o próximo solo e eu esquecendo que não fiz meu post de apreciação aos solos passados. Então, dando seguimento ao projeto Underground Idol do Onlyoneof, saíram mais dois solos pra alegar minha vida. Em agosto teve Be Mine do Junji e em outubro, Because do Rie, a dupla dos nomes japoneses mas só nomes mesmo. No meio disso, teve uma promoção de um EP no Japão, porque minhas amigas são atarefadas e queridas. Só lucro, porque serviu pra divulgar o projeto, que depois rendeu recorde de vendas no último solo. Só prosperidade para as gays!

Por causa do Rie, eu me meti a besta de ir assistir Call Me By Your Name (2017), mas antes, eu assisti várias outras coisas de cunho LGBT+ e tô de ressaca já tem três semanas. Dizendo eu que vou escrever mais sobre: por que produções LGBT+ ocidentais não me interessam? Na tentativa de entender o porque não me interessam, a medida que escrevo sobre... 

Voltando... Os clipes seguem conectados por diferentes pontos de vista da dupla, como aconteceu com o Yoojung e o KB que retrataram um casal meio que se interessando um por outro, mas sem se arriscar a ter um relacionamento de fato. O clipe do Yoojung com o tom de crush por um homem e o do KB com um tom de imaginação e coisas que poderiam acontecer se o casal acontecesse de verdade. O que também fica aberto a interpretações se é imaginação ou lembrança, porque os clipes estão todos com finais ambíguos. Minha interpretação é sempre pro lado do: não aconteceu ou deu errado.

Já os clipes do Junji e do Rie, retratam o início e término de um relacionamento, porque gay só sofre + cenas boiolas de um casal de verão dos anos 80(?), porque gay tbm merece ser feliz. O Junji ficou com a parte do início do romance com os momentos felizes e o Rie com o término + uma cena clássica de BL de beijo debaixo d'agua. Reza a lenda que é a primeira vez na história do kpop que uma coisa dessas acontece, mas eu num vou nem entrar nesse mérito, deixa lá. 

Como eu disse antes, o final dos clipes são ambíguos. Nesse caso, os dois clipes terminam logo após um cena de beijo, mas o sentimento que fica não é de final feliz, nem triste, só fica aquela sensação "bittersweet" de algo que não se resolveu direito e nem tem perspectiva de resolver futuramente. Fica aquela duvida, será se aconteceu? Será se eles se encontraram de novo? Será se eles fizeram as pazes? Será se tá tudo bem?

Nos solos anteriores eu dei uma surtada muito grande, fazendo conexões com o filme Chungking Express (1994), dessa vez eu digo que a inspiração foi Happy Together (1997), do mesmo diretor do filme anterior. Não por acaso, esse filme tem o mesmo fim do clipe, com o casal brigado e separado, apesar de se gostarem muito. Eu credito parte dessa ambiguidade a influencia do Wong Kar-wai, que traz esse mesmo sentimentos nos seus filmes. Como a trajetória do Onlyoneof já anunciava seus sinais desde o debute, eu to respaldada em dizer que é uma referência direta sim. Obviamente que tem milhares de referências de outros lugares e outras nada a ver com o filme em si, mas o que importa é que eu vi o filme no clipe. 

 
 
 

Desde o debut do grupo, as descrições dos vídeos (clipe, teaser e highlight medley) vem com textão explicando faixa por faixa dos álbuns ou o conceito por trás de cada era. Agora nós temos esses parágrafos curtos, dando um direcionamento de como interpretar as músicas e vídeos:

Even though I keep trying to suppress my emotions, 
They keep coming back up. 
It’s like a convection current of emotions.

Descrição do vídeo de Be Mine, Junji




I don’t believe there needs to be just one form of love.
The emotion we feel toward our parents. 
The emotion we feel toward our cats and dogs. 
And there are all those emotions and wounds in the world. 
I don’t believe there needs to be just one form of love.

Descrição do vídeo de Because, do Rie


Eles que não são bestas, colocaram thumbnails apelativas pra atrair a galera, não julgo, faria o mesmo.

Até o momento o Be Poject (vulgo Underground Idol project) está trazendo diferentes perspectivas do amor, a nível de interesse amoroso e relacionamento. Em projetos passados do grupo, foi abordado a libido e a pulsão sexual, em termos de instinto, juntamente da culpa cristã e punição (nos mini álbuns Instinct part 1 e Instinct part 2). Agora estamos no terreno dos sentimentos e relacionamentos, de quebra explorando as habilidades artísticas dos integrantes que trabalham atuação em clipes cinematográficos, sem coreografia e sem a estrutura típica dum clipe de kpop, além de participarem da produção das músicas. 

Tá sendo muito interessante ver a progressão do tema a cada solo. Enquanto Begin dá início a saga, retratando um receio de se apaixonar por alguém, apesar de querer muito, Be Free destrava esse medo inicial, permitindo-se gostar de alguém. Em seguida, Be Mine surge mais ousado, livre e exigente. 

[Verse 1]
You let my spirit free
Allow me to sculpt you, however, I want
Inspire me, I already know all about you
Let go of the fear, and will be mine, this excitement
And the hands that are about to reach everything
Unfortunately, they’re like spilled water
Just focus on you and me now
That slender waist, those eyes scanning me
Hurry burn it
Get yourself out of this wall right now
Come toward me faster
Trecho traduzido de Be Mine, do Junji [fonte]

E logo depois, Because reforça isso "there's nothing to worry about. I just know it. I’m not afraid even if I lose it all. If I become you and you become me (Trecho traduzido de Because, do Rie - fonte). A constante continua sendo amor e medo, mas em diferentes estágios e manifestações.

No momento, restam os solos do Mill e do Nine que aparentemente vão retratar uma paixão escolar, não por acaso com os dois integrantes mais jovens do grupo. Segue o teaser de Beat, já com a descrição:

Das notícias mais recentes, o grupo foi escalado pro cast (e possivelmente ost) de um webdrama de BL adaptado de uma Webtoon chamada Bump Up Business. O enredo acompanha dois idols de boygroup, que tem que atuar como casal pra ganhar popularidade. Um dos personagens não gosta da ideia, mas cede em nome de debutar e ganhar espaço no ramo. 

Não sei como vão adaptar o roteiro pra caber os seis integrantes e se vão dar continuidade as respectivas storylines já existentes no lore do grupo, mas é uma oportunidade muito bem vinda. Não só é um momento muito próspero para BLs na Coréia, como é uma oportunidade de divulgar o grupo. 

Mas eu só penso que todo grupo tem aquele integrante que a empresa investe na atuação, nesse caso a gente vai ter o grupo todo. Que, alias não será a primeira vez, uma vez que eles já participaram de um webdrama independente protagonizado pelas integrantes do Loona (no pré-debut quando todo mundo era trainee da mesma empresa), na época que o Jaden Jeong ainda era o diretor criativo delas. Quem viveu lembra...

Corta pra três anos depois, o Jaden pegando a mesma ideia e expandindo ela pro grupo dele no contexto atual. Sabe lá deus há quanto tempo ele tinha isso em mente e só não era possível antes porque a ascensão dos Bls na Coreia só aconteceu devido a pandemia (e uma cadeia de coisas que aconteceram em relação a produções televisivas e para plataformas de streaming asiáticas). Não sei, vivo de especulações, meu sonho era pegar na agenda pessoal do Jaden pra descobrir como ele ta dando conta do Onlyoneof e do TripleS ao mesmo tempo, sendo um pai presente. Agora eu vou finalizar abruptamente. Fim.


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