Reflexões cotidianas sobre atitudes burras que prejudicam os outros

Hoje de manhã, eu fui na padaria comprar pão de queijo e foi muito interessante observar pessoas em fila. A tortura é maior pra uns que pra outros. Mas ai tem gente que não se ajuda e não ajuda o outro, e ao invés de levar um cartão ou dinheiro trocado, leva o celular pra pagar no pix mesmo não tendo internet. Pessoas que pagam em pix normalmente são as que nunca nunca nunca tem internet suficiente pra fazer a transação.  Elas nunca sacam dinheiro também, o que vem sendo mais comum nos últimos anos, de maneira geral. Percebi que no meu circulo de amigos, eu sou a única que anda com cédula na bolsa. "Tal como nossos antepassados", eles dizem. 

Mas aqui a questão que eu quero pontuar, não é sobre quem paga em pix, é sobre os sempres e os nuncas. Sempre vai ser um atraso e um atrapalho, e a fila vai aumentar e pessoas vão começar a se pisar impacientes e vão fazer comentários desnecessários que pioram a situação. Mas enquanto eu tava na fila vendo a moça pagar metade no dinheiro e metade no pix, eu fiquei pensando sobre gente burra que sofre. Ou pior, faz os outros sofrer mais do que ela.

Ai eu abri o twitter aqui e apareceu o relato de alguém que ia pedir a namorada em casamente no show do Coldplay, mas perdeu o dia do show. Não se atentaram pra data e chegaram um dia depois, vindos de Santa Catarina. Ai lai tava com os ingressos na mão e uma aliança, pedindo ajuda pras pessoas pra poder ir ao show. Marcaram o Coldplay e fizeram um apelo. Isso os ingressos comprados desde outubro de 2022. 

Acabou que deu certo, ela conseguiu ir pro show e deve ter pedido sua amada em casamento, estão todos felizes, todos amam uma história de amor. 

Dai eu voltei no pensamento sobre gente burra que sofre mais ainda, porque não aprende ou não muda. Mas a questão é que essa burrice, nesses pequenos erros da vida, não são só maus hábitos, é sobre mentalidade. Sobre como sempre vai ter outras opções e a pessoa sempre vai escolher tanto a que tem mais costume (hábito), quanto a que faz mais sentido pra ela (mentalidade), mesmo sendo a mais prejudicial ou a que vai explicitamente dar errado, mas ela não vê isso, só faz sentido, por algum motivo. 

Hábito normalmente é algo que se faz sem pensar, como memória muscular. Mas ás vezes, até pensando, independente do hábito, você vai lá e escolhe burro. 

E ai é sobre saber que o pix pode não acontecer porque pode não ter internet, igual normalmente acontece, ou já aconteceu outras vezes, mas nem passa pela sua cabeça que isso pode ser um problema e que pode ser evitado, levando o cartão ou o dinheiro. E podem haver inúmera exceções que validem as escolhas burras também, pois nunca saberei por que a moça da padaria pagou metade em pix e metade em dinheiro, nem como duas pessoas erraram juntas a data do show comprado com antecedência e também não importa, porque não é sobre essas pessoas, nem situações. 

Os exemplos da padaria e do show foram ilustrativos e gatilhos pra pensamentos maiores que as situações citadas. 

Eu lembro de um dia dizer pra minha mãe que no trânsito, só existe direção defensiva, a todo momento você está na defensiva. Sempre antecipando o comportamento de outras pessoas, na tentativa de não se ferrar, porque no fim das contas você se ferra sozinho, tendo quem pague o concerto do seu transporte após um acidente ou não. Os riscos e prejuízos são todos seus, mesmo a culpa não sendo sua. E o trânsito não é lugar de punir ninguém por dirigir mal, então eu dirijo o tempo todo desejando que a pessoa que buzinou tenha um ótimo dia, que a pessoa que ultrapassou na maior velocidade chegue bem em casa, porque as chances dessas pessoas causarem um acidente logo na minha frente ou comigo, são altíssimas. Tô nem aí pra pessoa e seu bem estar, mas também não vou ser arrogante o suficiente pra causar meu próprio acidente no trânsito, então pode ultrapassar que o senhor ta com mais pressa, fique a vontade, não vou pegar birra com isso.

O trânsito ta cheio de gente que faz os outros sofrerem pela burrice alheia. Por isso, nem todo mundo deveria dirigir, porque falta esse senso de responsabilidade consigo mesmo e por consequência, com o outro. E essas coisas são mais complexas de ser aprendidas, porque tem mais a ver com mentalidade do que com regras de trânsito. Antes o problema fossem placas, psicológico ou visão. 

Se eu não me importo em dirigir bêbado, outras coisas menores, menos prejudiciais, menos perigosas e mais cotidianas, vão ser ignoradas também. Se eu não vejo problema no que é mais latente e nítido, nas coisas mais sutis é que eu não vou ver mesmo. Por isso essas atitudes são mais difíceis de ser mudadas e corrigidas, do que maus hábitos. Existe uma mentalidade que guia todas as suas atitudes na vida e que faz você cometer os mesmos erros, optar pelos caminhos mais tortos. São pequenas falhas de atenção, falta de noção, misturadas com egocentrismo que juntas geram um problemão sem tamanho e sem correção, a não que haja uma mudança de mentalidade que só acontece, ás vezes, talvez, se tiver sorte, depois de grandes traumas, fortes emoções, perdas e tudo que configure grandes traumas. 

Aquela história de dar mais valor a vida depois de perceber que quase morreu... pois é, esse é o nível de trauma e de mudança. Importante dar ênfase no "perceber", porque as chances de acontecer são altas todos dias, a gente que não está atento. 

O texto terminando em nada com nada, meu pai.

Escrito em 19.03.2023

2 comentários:

  1. Me deixou reflexiva também.
    Teria muito a comentar, mas acho que vou preferir refletir desta vez. :D

    ResponderExcluir

Apertar botão do windows + . (ponto) para ter acesso a emojis 😀, kaomojis (❁´◡`❁) e outros simbolos ↺